sexta-feira, janeiro 9, 2026

Bactérias de infecção vaginal são encontradas no pênis – 09/01/2026 – Equilíbrio e Saúde

É raro que um único estudo mude o curso da história da ginecologia. Mas um ensaio clínico publicado este ano no “The New England Journal of Medicine” conseguiu essa façanha e parece ter encerrado um dos grandes enigmas da saúde feminina.

A vaginose bacteriana, ou VB, é a infecção vaginal mais comum no mundo inteiro. Em algum momento da vida, toda mulher tem uma chance em três de contraí-la.

Os médicos sabem há muito tempo que as bactérias associadas a essa condição também podem ser encontradas no pênis. No entanto, em teoria, a VB era apenas um problema vaginal —como fica claro no próprio nome, vaginose. Ao longo de meio século, a ginecologia tratou a doença como se fosse um problema exclusivamente feminino, com tratamentos ineficazes que deixavam a mulher vulnerável à reinfecção.

O estudo do “The New England Journal” mudou isso. Os pesquisadores acompanharam 150 casais heterossexuais em que a parceira tinha vaginose bacteriana. Trataram as mulheres com antibióticos de primeira linha e metade dos homens com antibióticos orais e tópicos. Em três meses, descobriram que o tratamento do parceiro funcionava tão bem que tiveram de encerrar o estudo para que todos os participantes pudessem ser tratados.

A conclusão foi a seguinte: a VB pode ser transmitida por meio do sexo e deve ser tratada como uma infecção sexualmente transmissível.

Para os médicos que tratam essa condição regularmente, os resultados do estudo pareceram uma confirmação. “É tão óbvio. Não é um bicho de sete cabeças”, disse Sarah Cigna, ginecologista que dirige a clínica de saúde sexual da Universidade George Washington.

O estudo se espalhou como uma IST (infecção sexualmente transmissível). Em outubro, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomendou a seus mais de 60 mil membros que começassem a oferecer tratamento para parceiros masculinos de pacientes com VB persistente. Em novembro, a Califórnia se tornou o primeiro estado a propor que todos os profissionais de saúde tratassem os parceiros masculinos. E, neste mês, a cidade de Nova York anunciou que todas as suas clínicas de saúde sexual agora também passarão a atendê-los.

“Isso vai mudar a prática médica de forma profunda”, afirmou Ina Park, pesquisadora de saúde sexual da Universidade da Califórnia, em San Francisco, e consultora médica da divisão de prevenção de DSTs do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.

Desde que o artigo científico foi publicado, alguns médicos começaram a chamar a VB de infecção sexualmente transmissível quando conversam com pacientes. Outros, como Cigna, estão mais hesitantes, em parte porque acreditam que o estigma de uma IST ainda supera a discriminação em relação a um problema vaginal.

Segundo Jeffrey Klausner, professor de medicina e saúde pública da Universidade da Califórnia em Los Angeles, o mero fato de haver um debate mostra que a definição de IST ainda está passando por mudanças.

Biologicamente, a maioria das condições classificadas como IST desafia definições binárias. A palavra “sexualmente”, para começar, raramente conta toda a história. “Quando as pessoas ouvem ‘IST’, pensam que o pênis entrou na vagina e causou a infecção”, comentou Cigna, quando, na realidade, o sexo abrange muito mais do que a penetração peniana.

Se a categoria das ISTs fosse um país em conflito, a VB seria uma cidade em uma de suas fronteiras em mudança constante. A condição muda de mãos dependendo da época e da situação, revelando que essas fronteiras eram, em grande parte, artificiais desde o início —e fazendo com que alguns médicos questionem os limites dessa construção.

IST ou não?

A vaginose bacteriana desafia a definição convencional de IST de várias maneiras. Não é causada por um único agente infeccioso, como a clamídia ou a gonorreia. Em vez disso, é mais uma alteração no ecossistema do microbioma vaginal, a comunidade repleta de bactérias que patrulha os órgãos genitais.

“Trata-se de uma mistura. Não é só uma coisa, é um padrão”, declarou Caroline Mitchell, ginecologista e diretora do programa de distúrbios vulvovaginais do Hospital Geral de Massachusetts.

Em segundo lugar, a VB pode ser transmitida por meio do sexo, mas os pesquisadores discordam se ela sempre começa dessa forma. Até mesmo Catriona Bradshaw, autora principal do estudo e médica do Centro de Saúde Sexual da Universidade Monash, em Melbourne, é cautelosa: “É melhor pensar na VB como uma infecção sexualmente transmissível.”

Sabe-se que, uma vez que a pessoa tenha contraído a infecção, qualquer alteração no pH da vagina pode permitir a proliferação das bactérias da VB, disse Lonna Gordon, especialista em medicina adolescente do Sistema de Saúde Infantil Nemours, na Flórida.

Essa alteração pode ser desencadeada por duchas vaginais, preservativos, tabagismo, lubrificantes, brinquedos sexuais, DIU, hormônios, sêmen ou menstruação. “Basta que algo perturbe esse ambiente, como um banho de espuma, usar um maiô por muito tempo ou calças de ioga”, ensinou Gordon. Sim, até calças de ioga.

Autor Original

Destaques da Semana

calendário de vencimento começa nesta sexta (9)

O vencimento do IPVA 2026 começa nesta...

Eduardo encontra congressista americano para discutir liberdade de expressão

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reuniu no...

MP junto ao TCU pede acesso à investigação da PF sobre o Banco Master

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da...

Temas

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas

spot_imgspot_img