Keir Starmer prometeu tomar medidas contra o X (Ex-Twitter) de Elon Musk, instando a rede social a “se organizar” e impedir que seu chatbot de IA, Grok, produza imagens sexualizadas de crianças.
O primeiro-ministro britânico fez as declarações enquanto a ex-ministra trabalhista Louise Haigh defendia que o governo deixasse de usar a plataforma.
Starmer interveio em meio à crescente indignação pública com o que classificou como imagens “ilegais” geradas pelo Grok, desenvolvido pela xAI de Elon Musk, e compartilhadas na plataforma anteriormente conhecida como Twitter.
“Isso é vergonhoso, é nojento e não deve ser tolerado. O X precisa controlar isso”, disse Starmer à Greatest Hits Radio na quinta-feira (8). “Tomaremos medidas sobre isso porque é simplesmente intolerável.”
Nos últimos dias, usuários conseguiram fazer com que o Grok criasse imagens sexuais de crianças, o que vai contra as diretrizes de uso da empresa.
Na França, ministros denunciaram as imagens geradas pelo Grok a promotores. Eles também encaminharam o caso à Arcom, a agência reguladora de mídia do país, sobre “possíveis violações pelo X” de suas obrigações sob a Lei de Serviços Digitais da UE (União Europeia).
Starmer disse apoiar uma possível intervenção da Ofcom, a agência reguladora de mídia do Reino Unido, que afirmou esta semana estar investigando as alegações.
A indústria de tecnologia e os reguladores têm lidado com o amplo impacto social da IA generativa.
A Internet Watch Foundation, uma organização sem fins lucrativos baseada no Reino Unido, disse que imagens de abuso sexual infantil geradas por IA dobraram no último ano, com o material se tornando mais extremo.
O Grok foi intencionalmente projetado para ter menos barreiras de conteúdo do que os concorrentes, com Musk chamando o modelo de “buscador da verdade”.
Mas o Grok 4, seu modelo mais poderoso, foi lançado em julho com um recurso de “Modo Picante” que permite aos usuários gerar conteúdo sexualmente sugestivo para adultos. O X incorpora alguns recursos da xAI, como o Grok, diretamente na plataforma.
O Reino Unido está trabalhando em um projeto de lei para tornar ilegal possuir, criar ou distribuir ferramentas de IA que possam gerar imagens de abuso sexual infantil, e para exigir que os sistemas de IA sejam minuciosamente testados para garantir que não possam gerar conteúdo ilegal.
Haigh, a ex-secretária de transportes, instou tanto o governo do Reino Unido quanto o Partido Trabalhista a abandonarem o X.
“Já era um lugar desagradável antes de sua aquisição por Elon Musk, mas desde sua aceitação de discurso de ódio e abusadores anônimos online, tornou-se completamente inutilizável”, disse ela.
“As revelações sobre a facilitação, se não o incentivo, do abuso sexual infantil significam que é inconcebível usar o site por mais um minuto”, afirmou.
Ontem, o Comitê de Mulheres e Igualdades disse que parou de usar a plataforma.
Sarah Owen, que preside o comitê, escreveu ao ministro do Gabinete Nick Thomas-Symonds dizendo: “Certamente não é mais sustentável para o governo manter uma presença contínua em tal plataforma, especialmente considerando a missão do governo no combate à violência contra mulheres e meninas.”




