Os planos de saúde no Brasil registraram em 2025 o maior lucro da série histórica, em um ano marcado por reajustes de mensalidades acima das despesas assistenciais e forte resultado financeiro em meio a juros elevados.
Dados divulgados pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) nesta quarta-feira (18) mostram que o setor somou receitas de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido de R$ 24,4 bilhões.
O resultado equivale a aproximadamente 6,2% da receita total do período, ou seja, para cada R$ 100 de receitas, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro, superando o registrado durante a pandemia de Covid-19.
Os dados mostram forte concentração: três das maiores operadoras responderam por 49% de todo o lucro do setor.
A rentabilidade também avançou, com o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) chegando a 16,4%, acima dos níveis observados antes da crise sanitária.
Mesmo com a concentração em grandes empresas, houve melhora geral no desempenho do setor, com crescimento do número de operadoras registrando resultados positivos. Ao todo, 73,5% das empresas do setor (731) encerraram 2025 no azul —alta de 3,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Um dos principais fatores foi a queda da sinistralidade, que mede quanto da receita é destinado a cobrir despesas médicas. A taxa caiu para 81,7%, o menor nível desde 2020.
Isso significa que as operadoras passaram a gastar menos com atendimento em relação ao que arrecadam. Segundo a ANS, o movimento reflete a recomposição dos preços dos planos acima da variação dos custos médicos, seguindo tendência observada desde 2023.
O segmento médico-hospitalar, principal do setor, concentrou quase todo o lucro, com R$ 23,4 bilhões. O desempenho foi sustentado pela melhora da operação, pelo ganho financeiro com aplicações e por efeitos pontuais, como reorganizações societárias e créditos tributários.
O resultado operacional dessas operadoras foi positivo em R$ 9,8 bilhões, com avanço mais forte nas medicinas de grupo e seguradoras especializadas.
Na direção oposta, as autogestões ampliaram o prejuízo operacional para R$ 3,1 bilhões, alta de 45,5%, embora o número de entidades deficitárias tenha diminuído.
O ambiente de juros elevados também impulsionou o resultado. As operadoras encerraram 2025 com R$ 134,5 bilhões em aplicações financeiras, que geraram R$ 14,7 bilhões em ganhos.
O crescimento foi puxado por grandes empresas, que mais que dobraram o lucro, chegando a R$ 19,9 bilhões. As operadoras de médio porte também avançaram, com resultado de R$ 2,8 bilhões.
MERCADO SEGUE DESIGUAL ENTRE TIPOS DE PLANO
A ANS também atualizou o Atlas Econômico-Financeiro do setor, que aponta mudanças na estrutura concorrencial.
Nos planos coletivos empresariais, houve redução da concentração, com mais mercados considerados competitivos. Já nos planos individuais e familiares, a tendência foi oposta, com aumento da concentração ao longo dos anos. Nos planos coletivos por adesão, o cenário permaneceu estável.
Para o diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Jorge Aquino, os dados confirmam a melhora do desempenho do setor e reforçam a necessidade de acompanhamento para avaliar o comportamento do mercado e apoiar a atuação regulatória da agência reguladora.
Autor: Folha








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