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Glencore e Rio Tinto negociam fusão de US$ 260 bilhões – 09/01/2026 – Economia

A Glencore e a Rio Tinto reiniciaram conversas sobre uma potencial megafusão para criar a maior empresa de mineração do mundo, quase um ano após o colapso das discussões anteriores entre as mineradoras globais.

O potencial acordo criaria um gigante da mineração com valor de empresa superior a US$ 260 bilhões (R$ 1,4 trilhão), em um momento em que a corrida pelo cobre está remodelando o setor.

Os dois grupos confirmaram separadamente na quinta-feira (8) que estavam em “discussões preliminares” sobre uma “possível combinação de alguns ou todos os seus negócios, o que poderia incluir uma fusão totalmente em ações entre a Rio Tinto e a Glencore”.

Os comunicados, publicados logo após o FT revelar as conversas, também observaram que não havia certeza de que qualquer transação seria acordada.

A Rio Tinto —a maior das duas empresas, com valor de empresa de US$ 162 bilhões (R$ 869 bilhões)— potencialmente adquiriria a Glencore sob o acordo atualmente previsto, disseram.

As ações da Glencore subiram mais de 10% nesta sexta-feira (9) após a notícia. Embora a Glencore tenha se valorizado, as ações da Rio Tinto caíram até 3%, refletindo o ceticismo dos investidores em relação a um acordo e as preocupações de que ela pague a mais.

A recente combinação da Anglo American e da canadense Teck Resources —um acordo amigável feito com prêmio zero— pressionou rivais como BHP e Rio Tinto a se expandirem, enquanto as mineradoras competem para garantir acesso a mais recursos de cobre.

Os preços do cobre atingiram esta semana um recorde histórico de mais de US$ 13,3 mil por tonelada, destacando um déficit de mercado que os analistas alertam que pode chegar a 10 milhões de toneladas até 2040.

Uma junção completa da Rio Tinto e da Glencore foi discutida, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, embora os contornos exatos de um potencial acordo não pudessem ser determinados. As conversas foram reiniciadas no final do ano passado, disseram as pessoas.

Não está claro se as extensas operações de trading da Glencore seriam incluídas em uma possível fusão.

A Glencore, com sede na Suíça, recentemente se reposicionou como uma empresa de crescimento em cobre, com o CEO Gary Nagle dizendo em dezembro que se tornaria o “maior produtor de cobre do mundo”.

A empresa é a sexta maior produtora de cobre do mundo e a maior produtora de carvão listada. Seus planos de expansão, que incluem o desenvolvimento de uma nova mina de cobre, El Pachón, na Argentina, levariam a uma produção de 1,6 milhão de toneladas de cobre anualmente até 2035, aproximadamente o dobro dos níveis atuais.

As duas empresas realizaram anteriormente conversas de negócio no final de 2024, mas estas terminaram devido a questões como o futuro das minas de carvão da Glencore.

Desde o fim dessas conversas, a Rio Tinto nomeou um novo CEO, Simon Trott, que assumiu em agosto. Ele tem se concentrado em redução de custos e racionalização, e colocou vários ativos, incluindo a grande mina de boro da empresa na Califórnia, sob revisão estratégica.

Enquanto isso, a Glencore reestruturou suas participações no setor de carvão em uma entidade separada com sede na Austrália, uma mudança que confirmou em maio. Analistas disseram que a nova estrutura facilitaria a separação das minas de carvão em uma empresa independente, uma opção que o grupo examinou no ano passado.

A Rio Tinto deixou o negócio de carvão há anos, vendendo sua última mina em 2018. Analistas acreditam que ela pode estar relutante em se envolver com carvão novamente.

O preço das ações da Glencore subiu 35% nos últimos seis meses, impulsionado pelo aumento dos preços das commodities e sua nova estratégia para o cobre. As ações da Rio Tinto ganharam 41% no mesmo período.

Nagle disse em dezembro que a indústria de mineração carecia de escala e relevância devido ao tamanho de suas empresas. “Faz sentido criar empresas maiores”, disse ele. “Não apenas pelo tamanho, mas também para criar sinergias materiais, para criar relevância, para atrair talentos, para atrair capital.”

Sob as regras do código de aquisições do Reino Unido, a Rio Tinto tem até 5 de fevereiro para fazer uma oferta pela Glencore ou declarar que não pretende fazê-lo.

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