Na última quarta-feira (7), o ministro da Agricultura da Itália sinalizou que seu país enfim aprovaria o acordo UE-Mercosul com uma brincadeira. Em uma rara conversa com jornalistas, em Bruxelas, Francisco Lollobrigida declarou que o tratado traria muitos benefícios para os produtores italianos, incluindo “o fim do ‘parmesão’”.
Lollobrigida, aliado próximo da primeira-ministra, Giorgia Meloni, fazia referência às denominações de origem, que, com o tratado, ganham uma previsão de respeito estrito.
O queijo conhecido como “parmesão” no Brasil é um produto correspondente ao Parmigiano-Reggiano, que só existe na Itália e só pode ser fabricado em uma região específica do país.
Algo semelhante ocorre com as bebidas, como os produtos das regiões francesas de Champagne e Cognac, nomenclaturas que são respeitadas no Brasil, um fabricante já tradicional de espumantes, devido a outros acordos.
O quanto a indústria sul-americana terá que mudar a designação de seus produtos pode ser ainda uma discussão, mas a expectativa vendida aos agricultores europeus pela Comissão Europeia, inclusive por sua presidente, Ursula von der Leyen, é que nomes e produtos próximos a suas mercadorias de origem controlada sejam vetados.
O acordo aprovado nesta sexta-feira (9) em Bruxelas reconhece cerca de 350 indicações geográficas, que impedem a imitação e designação de produtos alimentares tradicionais da União Europeia. Parmigiano-Reggiano é curiosamente um dos exemplos citados pela UE em seu material de divulgação do acordo.
Queijos, aliás, é uma das muitas mercadorias sensíveis listadas no pacto. Assim como a UE permitirá apenas 99 mil toneladas de carne isentas de imposto, o Mercosul só prevê isenção para 30 mil toneladas de queijo vindos da Europa.
Também serão controladas por quotas as importações de carne de aves e suína, açúcar, etanol, arroz, mel e milho; no sentido da América do Sul, leite em pó e fórmulas infantis.
Procurando ampliar outros mercados após o tarifaço de Donald Trump, os produtores europeus das chamadas mercadorias premium há meses defendiam a celebração do pacto. Até a federação francesa de vinicultores participava do lobby. “Somos provavelmente o único grupo na França a favor do acordo”, declarou a entidade em comunicado.
País com a maior produção agrícola da Europa, voltada sobretudo para o mercado europeu, a França se opõe ao acordo e, após a sua aprovação, promete tentar barrá-lo no Parlamento Europeu ou na Justiça.




