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Ataque do Irã contra o Catar ameaça energia global

O ataque realizado pelo regime islâmico do Irã nesta quarta-feira (18) contra instalações energéticas em Ras Laffan, no Catar, reduziu em cerca de 17% a capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do país e pode afetar o abastecimento global de energia, segundo informou a estatal QatarEnergy em comunicado oficial nesta quinta-feira (19).

A cidade industrial de Ras Laffan é o principal polo energético do Catar e abriga o maior complexo de produção de GNL do mundo. O ataque do Irã atingiu as unidades de liquefação conhecidas como Trains 4 e 6, que juntas produzem cerca de 12,8 milhões de toneladas por ano, volume equivalente a aproximadamente 17% das exportações de GNL do Catar.

Segundo a estatal QatarEnergy, a destruição das instalações provocará perda estimada de cerca de US$ 20 bilhões (R$ 104 bilhões) por ano em receitas e exigirá até cinco anos para que os sistemas sejam totalmente reparados. A companhia informou que poderá declarar situação de força maior em contratos de longo prazo, o que deve afetar o fornecimento para mercados da Europa e da Ásia.

O ministro de Estado para Assuntos Energéticos do Catar e diretor-executivo da empresa, Saad Sherida Al-Kaabi, afirmou que o ataque do Irã realizado nesta quarta-feira representa não apenas um golpe contra o país, mas também contra a estabilidade energética mundial.

Além das linhas de liquefação de gás, o bombardeio também atingiu a instalação Pearl GTL, operada pela multinacional petrolífera britânica Shell, que transforma gás natural em combustíveis e outros derivados. Segundo a empresa, pelo menos uma das unidades deverá permanecer fora de operação por um período mínimo de um ano, reduzindo a produção de condensados, GLP, nafta, enxofre e hélio.

Coração do gás do Catar

O complexo de Ras Laffan, localizado a cerca de 80 quilômetros ao norte de Doha, é considerado o coração da indústria de gás do Catar. O local processa volumes provenientes do campo North Field, uma das maiores reservas de gás natural do mundo, e permite ao país exportar dezenas de milhões de toneladas de GNL por ano para diversos continentes.

Analistas do setor energético avaliam que qualquer interrupção relevante na produção do Catar pode ter efeitos diretos no mercado internacional, já que o país está entre os maiores exportadores de gás natural liquefeito do planeta. A redução nas exportações ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, elevando o temor de impactos na economia global e no fornecimento de energia para países dependentes do combustível.

Kristy Kramer, diretora de estratégia de GNL da Wood Mackenzie, empresa de pesquisa, dados e consultoria especializada em energia e recursos naturais, disse ao site CompressorTechNews que uma paralisação mais longa na produção de gás do Catar tende a reduzir a oferta global e manter os preços elevados por mais tempo, aumentando a volatilidade no mercado energético.

Autor: Gazeta do Povo

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