Rio de Janeiro
CRÍTICA | RIO
Mocelin Steak
Cinco estrelas (Ótimo)
Av. Armando Lombardi, 1.10, Barra da Tijuca. @mocellinsteak
Há alguns dias, o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, postou em suas redes uma lista de “melhores experiências” vividas em 2025. Além de lugares, músicas e filmes, o ex-treinador do Real Madrid citou nove restaurantes que o deixaram maravilhado ao longo do ano. Havia uma churrascaria carioca entre eles.
Trata-se da Mocellin Steak, inaugurada em 2016 na Barra da Tijuca. Apesar de relativamente recente, ela tem berço: seus donos fazem parte do clã gaúcho que comandou por décadas a saudosa rede Porcão, de onde vieram muitos profissionais do salão e da cozinha, e também a Oásis, que fez sucesso no bairro de São Conrado (e hoje tem filial na Via Dutra).
O pulo do gato da Mocellin foi deixar em segundo plano os penduricalhos (saladas, frios e frutos do mar) e focar nas carnes nobres de linha premium, grelhadas na parrilla à perfeição, em um serviço que fica num meio termo entre o rodízio e o à la carte.
É o famoso “all you can eat”, mas com nova roupagem, sem garçons percorrendo o salão com carnes no espeto —as peças solicitadas são servidas em travessas e fatiadas à mesa.
Por um preço fixo (R$ 235), são oferecidos, entre outros, cortes como assado de tira, shoulder, rib-eye, chorizo, picanha, cupim e uma seleção de linguiças —pernil, calabresa e de costela, essa última a preferida de Ancelotti, me informaram. O italiano também costuma pedir com frequência o matambrito suíno, a capa da costela. Está certo ele. Temperado com limão e sal, é saborosíssimo. Arrisco dizer que foi a melhor carne de porco que já comi.
Experientes, os garçons/churrasqueiros (vários deles se juntam à brigada na parrilla) não perguntam o ponto da carne. Eles sabem. Todas as que provei -essas listadas acima, além da coxa de frango e do coração, também acima da média-, vieram perfeitas: uns bifões de crosta crocante e de um vermelho intenso. Se estivessem no espeto, indo e voltando, estariam bons assim? Duvido.
A Mocellin aboliu o bufê de saladas, de frios e de comida japonesa e, assim como as carnes, tudo é feito na hora. As opções estão listadas em iPads (infelizmente a casa não tem cardápio impresso), e chegam frescas à mesa. Caesar, caprese, maionese, de salmão defumado, de shitake e shimeji são algumas alternativas.
Na ala dos japoneses, a churrascaria também mostra capricho na seleção dos insumos. Os sashimis de salmão e de hadoque não deixaram nada a dever aos servidos numa boa casa do ramo. Também há ceviche de salmão no menu de pratos frios, e esse foi o único que eu não pediria de novo: erraram a mão na acidez, o gosto de laranja estava pronunciado demais.
Quem gosta de churrasco geralmente fica atento às guarnições, e as do Mocellin se não brilham, também não fazem feio. Cumprem seus papéis a batata frita e a farofa de ovo, assim como a banana frita, o bolinho de aipim e a cebola à milanesa (esses dois últimos excelentes, sequinhos e crocantes, bem temperados).
No fim das contas, fica a impressão de que a Mocellin é, realmente, dos melhores lugares da cidade para se comer carne, sem deixar a peteca cair em relação a quase todas as outras opções. É, como afirmou Ancelotti, uma excelente experiência —tanto que ele incluiu a churrascaria no mesmo rol do Arpège, sofisticado e inovador restaurante parisiense com três estrelas no Guia Michelin. Não é pouca coisa.




