
O voo LATAM 3796, que levaria o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de Brasília ao Rio de Janeiro na noite desta quinta-feira (19) foi cancelado após o comandante identificar uma falha mecânica na aeronave.
O problema foi detectado com as portas já fechadas e o embarque encerrado, momentos antes de o avião iniciar o taxiamento na pista do Aeroporto Internacional de Brasília. A aeronave era um Airbus A319 com 16 anos de operação, matrícula PT-TMA, que operaria o último voo noturno da LATAM para o Santos Dumont.
A companhia não informou aos passageiros o tipo de defeito que motivou o cancelamento, e os que estavam em trânsito ou conexão foram acomodados em hotéis e remanejados para voos do dia seguinte.
Mendonça, porém, não aguardou a remarcação. O ministro embarcou em outro voo ainda na noite de quinta e já estava no Rio de Janeiro na madrugada de sexta-feira (20), onde ministraria uma palestra.
A LATAM não havia se manifestado sobre o caso até o fechamento desta matéria. A assessoria do ministro também não emitiu nota oficial.
Nas horas anteriores ao incidente, Mendonça havia participado da sessão plenária do STF em Brasília e assinado a decisão que transferiu o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde 4 de março na Penitenciária Federal de Brasília, para a Superintendência da Polícia Federal na capital.
O protocolo foi concedido pelo ministro a pedido da defesa e é visto como indicativo de que estão em andamento negociações para um acordo de delação premiada. Vorcaro chegou à sede da PF de helicóptero, por volta das 19h, e já havia assinado um termo de confidencialidade com investigadores da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal para formalizar o início das tratativas de colaboração premiada.
A mudança de estratégia de Vorcaro foi externada na semana anterior, quando ele dispensou os advogados Pierpaolo Bottini e Roberto Podval e contratou José Luís Oliveira Lima, o Juca, criminalista com vasta experiência em acordos de delação, incluindo a colaboração do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, no âmbito da Operação Lava Jato.
Em reunião com Mendonça na terça-feira, 17, o advogado propôs um formato inédito de delação conjunta envolvendo simultaneamente a PF e a PGR, modelo nunca adotado em grandes colaborações premiadas no Brasil, inclusive durante a Lava Jato. O ministro sinalizou positivamente à proposta.
A medida abriu incômodo em parte do Congresso, sobretudo entre lideranças do Centrão, que temem estar entre os alvos de Vorcaro. Mensagens extraídas do celular do banqueiro já mencionaram encontros que envolveriam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de referências a reuniões com o ministro Alexandre de Moraes. Nenhum deles foi formalmente indiciado até o momento.
Mendonça é o relator das investigações do caso Master no STF desde que Dias Toffoli se declarou suspeito, após ser citado em dossiê da Polícia Federal. É ele quem conduz as autorizações de medidas cautelares, prorrogações do inquérito e transferências de custodiados.
A Segunda Turma da Corte formou maioria em 13 de março para manter a prisão preventiva de Vorcaro, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes ainda não votou; Toffoli está suspeito.
A Operação Compliance Zero, da PF, investiga emissão de títulos de crédito falsos, gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa no âmbito do conglomerado Master. O rombo causado ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pela liquidação do Banco Master, do Banco Pleno e do Will Bank é estimado em R$ 51,8 bilhões, o que representa mais de um terço do fundo.
Vorcaro havia sido preso pela primeira vez em novembro do ano passado, solto 11 dias depois com uso de tornozeleira eletrônica, e voltou a ser detido em 4 de março deste ano, na terceira fase da operação.








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