A Meta planeja cortar cerca de 10% dos funcionários da sua divisão Reality Labs que trabalham em produtos incluindo o metaverso, segundo três pessoas com conhecimento das discussões, enquanto a empresa muda prioridades para construir inteligência artificial de próxima geração.
Os cortes na Reality Labs —que devem atingir aproximadamente 15 mil funcionários— podem ser anunciados já nesta terça-feira (13). Os cortes podem acabar afetando mais de 10% da divisão, disse uma das pessoas.
As demissões representariam uma fração da força de trabalho total da Meta de 78 mil, mas devem afetar desproporcionalmente aqueles na unidade do metaverso que trabalham com headsets de realidade virtual e uma rede social baseada em RV, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por não estarem autorizadas a discutir decisões confidenciais.
Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta que supervisiona a Reality Labs, convocou uma reunião para quarta-feira (14) e pediu que os funcionários compareçam, de acordo com um memorando enviado aos funcionários na semana passada, obtido pelo The New York Times. Bosworth disse que a reunião era a “mais importante” do ano, mas não deu detalhes.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, pediu aos principais executivos no ano passado que fizessem cortes em seus orçamentos para 2026 enquanto ele investe dinheiro em pesquisa de IA. À medida que a Meta enfrenta concorrência de empresas como OpenAI e Google, Zuckerberg aumentou o orçamento para o TBD Lab, a unidade de projetos especiais da Meta que visa construir superinteligência, um sistema de IA com capacidades semelhantes às divinas.
A empresa também planeja realocar parte do dinheiro dos produtos de realidade virtual para aumentar o orçamento de sua divisão de wearables, que constrói óculos inteligentes e dispositivos para pulso.
As demissões devem frear o desenvolvimento da realidade virtual para o metaverso, a visão distante de Zuckerberg sobre como as redes sociais poderiam ser em uma versão da internet baseada em RV. Ele persegue essa visão desde 2014, quando comprou a Oculus, uma startup de realidade virtual que se tornou a base para a divisão de hardware da Meta. Em 2021, Zuckerberg rebatizou a empresa como Meta, afastando-se oficialmente do nome Facebook.
Mas os consumidores não correram para comprar os headsets de realidade virtual da Meta, mesmo com a empresa tendo gasto dezenas de bilhões de dólares para construí-los.
Ao mesmo tempo, os investidores têm se mostrado cautelosos com os gastos da Meta à medida que ela intensifica seu trabalho em inteligência artificial. A empresa espera investir dezenas de bilhões de dólares em data centers, as instalações de computação que alimentam o desenvolvimento de IA, e tem oferecido pacotes de remuneração generosos para contratar pesquisadores de IA.
A Meta recusou-se a comentar. Em dezembro, um porta-voz da empresa disse que a Meta estava “deslocando parte de nosso investimento do Metaverso para óculos de IA” e não estava planejando “mudanças mais amplas”.
O memorando de Bosworth foi noticiado anteriormente pelo Business Insider.
Na segunda-feira (12), a Meta também anunciou a contratação de Dina Powell McCormick, ex-assessora do presidente Donald Trump e banqueira do Goldman Sachs, para ser sua nova presidente e vice-presidente focada em acordos bancários de data centers. Powell McCormick serviu no conselho de administração da Meta por oito meses no ano passado. A empresa também revelou um projeto chamado Meta Compute, que Zuckerberg disse que criará data centers alimentados por “dezenas de gigawatts nesta década, e centenas de gigawatts ou mais ao longo do tempo”.
Mesmo com a corrida da IA se intensificando, a Meta afirmou que não está desistindo do metaverso. Mas a empresa do Vale do Silício parece estar redefinindo exatamente como isso pode ser.
A divisão Reality Labs que trabalha com realidade aumentada, que constrói hardware como óculos e pulseiras que permitem às pessoas interagir com menus de computação e comandos usando voz e gestos, deve ser amplamente poupada dos cortes, disseram duas das pessoas. Essa divisão é responsável pelos óculos Ray-Ban da Meta, que incorporaram uma câmera e um assistente de IA pessoal. Os óculos têm sido um sucesso surpreendente, vendendo mais de 2 milhões de unidades nos últimos anos, segundo a empresa.
A divisão de realidade aumentada também é responsável pelos óculos inteligentes Ray-Ban Display, que têm um menu digital dentro das lentes que pode ser navegado com uma pulseira de hardware. Em um evento do setor em Las Vegas na semana passada, a Meta disse que estava adiando o lançamento internacional dos óculos Display, citando estoque limitado e “demanda sem precedentes”.
Em uma ligação com investidores em julho, Zuckerberg disse que os óculos inteligentes seriam “a principal maneira de integrarmos a superinteligência em nossas vidas cotidianas”.





