O novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, anunciado por Lula nesta terça-feira (13), é pouco conhecido por políticos de fora da Bahia. Congressistas ligados à pauta da segurança pública ouvidos pela Folha disseram não saber o que esperar dele.
Ele foi procurador-geral de Justiça da Bahia durante as gestões petistas no estado. No início do governo Lula, foi secretário-especial para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, principal posto da área no Planalto. Entre sair do governo e ser escolhido para o ministério, chefiou o departamento jurídico da Petrobras.
A reportagem conversou com políticos de vários partidos, alguns sob condição de reserva, e não houve relatos objetivos sobre o novo ministro. Nenhum deles soube explicar, por exemplo, se o escolhido de Lula é mais progressista ou mais linha-dura em temas como drogas e política carcerária.
Governistas baianos descrevem o próximo chefe da Justiça como um quadro com alta capacidade executiva e de articulação. Ele assumirá no lugar de Ricardo Lewandowski, que deixou a gestão Lula na semana passada.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do crime organizado, disse que o novo ministro não é um nome da área da segurança pública e que é necessário esperar suas primeiras ações à frente da pasta para avaliar.
“É preciso aguardar os primeiros passos, mas não é um nome com lastro na área de segurança pública, embora tenha atuado como procurador de Justiça na Bahia”, disse o senador. “A pauta de Segurança Pública não conta com a atenção do governo Lula, infelizmente.”
O relator da PEC (proposta de emenda à Constituição) que aumenta as atribuições da União na área da segurança pública, o deputado Mendonça Filho (União-PE), mencionou a trajetória de Lima e Silva como um ponto positivo, mas disse que não o conhece.
“Eu não tenho nenhum reparo para falar sobre a experiência e atuação dele. Não o conheço pessoalmente, e também não tenho nenhuma avaliação mais profunda”, afirmou.
Mendonça Filho também mencionou episódio de 2016, quando a então presidente Dilma Rousseff escolheu Lima e Silva para o Ministério da Justiça. Ele ficou apenas 14 dias no cargo na ocasião, depois que o STF decidiu que membros do Ministério Público não podem trabalhar no Executivo.
“Eu atuei para combater a nomeação porque ele não tinha saído da função do Ministério Público, e ele não poderia acumular. Só, ponto, não foi nada além disso”, disse Mendonça Filho.
“Estamos cansados de falar que tem que ser um técnico em segurança pública. Lewandowski não deu certo porque não conhece a prática. Pegar um cara que é advogado… não vai dar certo”, disse o deputado Alberto Fraga (PL-DF), coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública.
“Não o conheço”, declarou o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), ao ser questionado pela Folha sobre o que achava da nomeação.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, fez elogios ao escolhido pelo chefe do governo.
“É daqueles que entrega o trabalho na hora. Deixou marca de trabalho na Bahia. Hoje é uma pessoa muito da confiança do presidente Lula. “Ele não perde para ninguém em preparo jurídico”, afirmou Alencar. O senador também disse que o novo ministro tem bom trânsito em Brasília.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que Lima e Silva tem boa relação com a bancada e possui um perfil mais combativo, que será útil para o governo num ano de eleição.
“Ele entra com o perfil do momento, com uma pegada mais de segurança. Foi procurador-geral da Bahia. Esse ano vamos precisar desse debate, porque muita coisa acontece e o governo não capitaliza, são diversas ações da Receita e da PF no combate ao crime organizado”, afirmou Lindbergh.
O líder do PT comparou o novo ministro a Lewandowski: “Foi um excelente ministro e de muito respeito, mas tinha um perfil. Wellington tem perfil mais de segurança, de sair ‘batendo o bumbo’, mostrando o que se está fazendo num momento importante.”




