O atacante Hulk, do Atlético Mineiro, e sua esposa Camila Ângelo tomaram um susto com a filha Zaya, 3, que teve um choque anafilático na noite de quarta-feira (18).
“Tivemos que sair correndo para o hospital para aplicar adrenalina nela. Zaya teve um quadro de anafilaxia”, relatou o jogador em uma rede social.
A anafilaxia —ou choque anafilático— é a forma de reação alérgica mais agressiva que existe, segundo especialistas. Assim como em episódios alérgicos comuns, ela ocorre após o contato com o agente externo cuja intolerância leva à reação do corpo. Porém, de maneira intensa e rápida, podendo levar à morte se não tratada rapidamente.
Isso explica o susto do jogador e a ida rápida até a emergência com a filha.
“A pressão cai abruptamente para níveis baixíssimos, como 5 por 2 (50/20), e o corpo começa a inchar, obstruindo as vias aéreas e bloqueando a respiração”, explica Celso Henrique Binotti de Oliveira, médico alergista e doutor em clínica médica pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), do hospital Vera Cruz.
Uma pessoa em choque anafilático pode não conseguir ajuda porque a pressão baixa, ou hipotensão, causa desmaios. A situação se torna mais grave se o inchaço travar a respiração, levando à morte por falta de ar ou a danos cerebrais por falta de oxigênio.
O QUE É O CHOQUE ANAFILÁTICO?
É uma reação alérgica com resposta integral do corpo. “Em algumas alergias, a pessoa fica com coceira, espirros, respostas específicas em diferentes regiões do corpo. Na anafilaxia, é como se todo o corpo tivesse respondendo contra o agente externo para qual ele tem intolerância, o que leva a um colapso”, explica Oliveira.
Essa reação exagerada do corpo é também muito mais rápida que as alergias leves, ocorrendo em até cinco minutos após o contato com o alérgeno –o agente provocador.
No caso da filha de Hulk, o episódio aconteceu após a criança comer amendoim que, segundo Oliveira, é um dos alimentos mais associados a reações alérgicas.
QUAIS OS RISCOS?
Os riscos são diretamente ligados à velocidade do estímulo contrário. Isto é, quanto mais tempo demorar para interromper a reação, mais danos o choque pode causar.
A hipotensão, por exemplo, pode causar desmaios, que por sua vez podem levar a traumas se a pessoa cair. O maior risco está na dificuldade de respiração, no entanto. O inchaço das vias aéreas obstrui a respiração gradativamente. Daí a necessidade de buscar socorro o mais rápido possível.
COMO RESOLVER?
A recomendação dos médicos é reproduzir o mesmo que fez o jogador com sua filha: correr para a emergência.
No atendimento médico, se houver uma caneta de adrenalina, pode-se aplicar para interromper a reação agressiva do corpo e manter os sinais vitais. Esse medicamento, contudo, são pouco disponíveis no Brasil, diz o alergista. Tampouco substituem a necessidade do atendimento médico.
COMO APARECE?
O choque anafilático, apesar de ser mais raro, aparece como uma reação alérgica comum. Ele pode ocorrer não no primeiro contato com a substância que o provoca, mas no segundo (mais comum) ou até mesmo no terceiro.
“O corpo recebe o alérgeno, identifica que não gosta dele e então cria uma resistência”, explica o médico emergencista Raphael Eloy.
Há alergias que surgem ao longo da vida, após os 30, 40 anos, por exemplo. Isso significa que um choque anafilático pode surgir com coisas cuja pessoa nem imagina ter alergia.
COMO IDENTIFICAR?
Segundo Oliveira, é possível identificar a alergia em um exame de sangue. Para isso, as células da amostra são colocadas em contato com substâncias comumente associadas a alergias.
Amendoim, frutos do mar e leite são alguns exemplos. Mas picadas de insetos, poeira e contato com alguns produtos específicos, como o látex, também podem desencadear uma reação.
COMO EVITAR?
Para Eloy, os cuidados são simples quando a alergia já é conhecida. “Pessoas com alergias pré-identificadas devem evitar contato com o que elas sabem que causam a reação. Ainda que exista o antialérgico, que ajuda na crise, é comum que as reações se tornem cada vez mais agressivas”, explica o médico.
O fato de o choque ser instantâneo auxilia na identificação de algum suposto sinal. Por isso, provar alimentos que são novidade para o corpo em pequenas doses, por exemplo, pode ajudar a fazer uma espécie de reconhecimento do alimento.
Hulk agradeceu publicamente à equipe do Hospital Público Risoleta Neves, em Belo Horizonte, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde), responsável pelo atendimento à sua filha durante a crise alérgica.
“Desde a recepção até cada profissional de saúde que atendeu minha filha, fomos acolhidos com atenção, rapidez e, acima de tudo, humanidade. Vocês foram essenciais naquele momento”, disse.
Autor: Folha








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