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Fictor promete regularizar pagamentos em fevereiro – 14/01/2026 – Economia

A Fictor Invest, empresa de participações que ganhou notoriedade por tentar comprar o Banco Master às vésperas da sua liquidação pelo Banco Central e da prisão de Daniel Vorcaro, divulgou uma nota oficial para negar que esteja enfrentando um quadro de insolvência. Após relatos de investidores sobre atrasos em resgates e dividendos, a companhia fixou a data de 12 de fevereiro para regularizar os pagamentos pendentes.

Na nota, a companhia afirma atravessar um momento “atípico” de sua história, marcado por maior exposição, em especial após seu envolvimento no episódio do Master. Segundo a empresa, esse contexto resultou em um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, agravado por ajustes em relações com fornecedores estratégicos.

A companhia sustenta que a situação não decorre de problemas estruturais. “Não se trata de insolvência, tampouco de falta de compromisso da empresa. Trata-se de um evento pontual, que está sendo enfrentado com responsabilidade, disciplina e ação”, diz o comunicado.

Para recompor o caixa, a holding afirma ter iniciado a liquidação de operações e de ativos considerados estratégicos, em frentes simultâneas. Segundo a empresa, são “medidas concretas, já em andamento, e não apenas diretrizes teóricas”.

Enquanto a Fictor busca se distanciar da crise do Master, investidores individuais relatam prejuízos.

Na plataforma Reclame Aqui, o volume de queixas contra a empresa disparou. Entre julho e dezembro de 2025, a empresa recebeu 12 reclamações. Apenas em janeiro de 2026, o número chega a 39 —um aumento de 225%, segundo levantamento da Folha.

A maioria envolve atrasos no pagamento de dividendos. Um dos investidores afirma ter sido obrigado a recorrer a empréstimos pessoais para honrar compromissos após não receber valores que, segundo ele, eram tradicionalmente pagos no dia 10 de cada mês.

“Até 10 de dezembro, os pagamentos ocorreram normalmente. No entanto, em janeiro, o pagamento previsto para o dia 10 foi adiado para o dia 12. Depois, recebi nova promessa para o dia 13, também descumprida. Fui informado de que o pagamento seria realizado no dia 15”, relata.

Outro cliente da Fictor reforça o relato de atrasos recentes, com previsões de pagamento para os dias 12 e 13 de janeiro que não foram cumpridas. “Possuo quatro contratos com a Fictor, com pagamento de dividendos todo dia 10. Diante do não pagamento, registro que a empresa não cumpriu o que está previsto em contrato”, afirmou.

MODELO DE NEGÓCIO

Desde 2021, a Fictor captou cerca de R$ 1,6 bilhão por meio de SCPs (Sociedades em Conta de Participação), modelo previsto no Código Civil, mas que não é regulado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

No portfólio do grupo constam negócios em setores como alimentos —entre eles a Fictor Alimentos S.A., listada na B3—, energia e mercado imobiliário.

No comunicado, a empresa afirma ainda que pretende anunciar, nos próximos dias, a entrada de um investidor relevante no grupo, o que marcaria “uma nova etapa de fortalecimento e crescimento” da companhia.

A holding disse ainda que iniciou a liquidação de ativos estratégicos e operações. A nota destaca que estas são “medidas concretas” e não apenas diretrizes teóricas.

“Não se trata de insolvência, tampouco de falta de compromisso da empresa. Trata-se de um evento pontual”, afirmou no comunicado.

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