Um dos assuntos mais comentados neste começo de 2026 é a crise político-institucional no São Paulo Futebol Clube, um dos mais importantes clubes do Brasil.
Em meio a denúncias de movimentações atípicas em contas do SPFC, má gestão financeira e esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi, o presidente Julio Casares sofreu processo de impeachment, sendo afastado pelo Conselho Deliberativo, e renunciou.
A crise administrativa juntou-se à esportiva, que na reta final de 2025 resultou em mudanças no departamento de futebol são-paulino.
Para o torcedor comum, que observa tudo de fora, as perguntas imediatas são: “O que isso afeta no vestiário? Qual a relação com a piora do time?”.
Se os treinos prosseguem acontecendo, se as idas aos estádios estão mantidas, se os uniformes continuam a ser oferecidos, por que a situação extracampo influencia o desempenho em campo? Basta jogar bola e ser competitivo para obter bons resultados. Simples assim.
Só que não. Mesmo que aparentemente tudo esteja normal no dia a dia, um ambiente conturbado na hierarquia de comando no clube respinga no futebol. Cria-se um cenário de instabilidade que chega aos jogadores.
Sem um departamento de futebol forte e estável, que só se constrói com apoio de uma presidência forte e estável, passa a reinar a incerteza.
Não há quem gerencie a situação de atrasos nos pagamentos dos direitos de imagem (remuneração aos atletas, à parte do salário, para publicidade e marketing) e premiações. Não há quem planeje os próximos passos do elenco, reuniões de planejamento são postergadas, negociações e contratações ficam em modo espera.
Indefinições provocam insegurança. O jogador passa a não ter o foco apenas na atuação futebolística e alimenta dúvidas continuadamente. “Vão me pagar?” “Vão renovar meu contrato?” “Quem dirige este barco sem rumo?”
Um comando sólido reflete positivamente na equipe. Um comando frágil tem efeito oposto. Medo e imprevisibilidade não contribuem, e o time fragmenta-se, perde coesão e confiança. Em campo, com o agravante de uma torcida insatisfeita e impaciente, a chance de dar certo despenca.
Não é só por aqui que acontece –o caso do São Paulo é o mais recente, porém crises institucionais periodicamente atingem clubes grandes–, houve episódios fora.
Na Itália, a Juventus teve a imagem arranhada junto a patrocinadores e investidores devido a irregularidades contábeis, que resultaram em queda do presidente (Andrea Agnelli) e perda de dez pontos no campeonato de 2022/2023, o que lhe tirou a chance de se classificar para torneios continentais.
Na Espanha, a turbulência interna no Barcelona acumulada na gestão Josep Bartomeu culminou em algo impensável, a saída de Lionel Messi do clube catalão, em 2021. Bartomeu renunciou no fim de 2020. Contudo, na esteira de uma crise financeira aguda e do descumprimento do fair play financeiro, o Barça perdeu o maior ídolo de sua história.
Essa foi uma das maiores provas de que a incapacidade administrativa pode provocar feridas profundas e que nem sempre cicatrizam.
Por aqui, o SPFC, sob nova direção, inicia luta para superar uma das mais graves tribulações já vividas. Para que o C deixe de significar crise e volte a significar clube.
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Autor: Folha






