Vou passar o aniversário de São Paulo, no próximo domingo (25), como todo paulistano gostaria de passar: na praia. Nada contra minha amada terra natal, mas viajar é sempre bom.
Estou no Ceará, um dos meus destinos favoritos na vida. Para quem gosta de comer bem, aqui é um espetáculo. São muitas as comidas típicas. Baião de dois, carne de sol, peixada cearense, galinha à cabidela.
À beira da piscina do hotel, pedi um petisco à base de ingredientes nordestinos: dadinhos de tapioca com queijo de coalho. Veio a reflexão: quais são as comidas típicas paulistanas? Será que existe uma culinária típica de São Paulo, capital?
Não é uma questão simples. As duas respostas, sim e não, podem ser demonstradas por alguém com alguma destreza retórica. São Paulo, como todas as cidades muito grandes, que crescem à base da migração, tem perfil populacional instável e mutante.
Italianos e japoneses deram lugar aos nordestinos, depois vieram coreanos, bolivianos, congoleses, haitianos, venezuelanos e até gaúchos.
Num cenário desses, de destruição e reconstrução contínuas, é difícil estabelecer uma tradição culinária caseira, como em lugares pacatos ou cidades com população mais homogênea.
Ocorre que nas megalópoles, onde muita gente não cozinha nem come em casa por falta de tempo, os pratos típicos nascem nos restaurantes. Um restaurante cria uma receita, e outros logo o seguem —não existe direito autoral na culinária, ainda bem.
Das pizzas, símbolo da alimentação paulistana, a Castelões, pizzaria mais antiga do Brasil, diz ter inventado a calabresa e a pizza de calabresa. Outras mentes criativas tiveram ideias com requeijão, rúcula e por aí vai.
A comida típica de São Paulo é o polpetone do Jardim di Napoli, os temakis que fazem sucesso até na Europa, o pernil do Estadão lanches, o mignon com alho frito do Rei do Filet e aquela mortadela do Mercadão, que Deus nos perdoe.
O dadinho de tapioca que pedi aqui no Ceará, aliás, é 100% paulistano. Criação do chef Rodrigo Oliveira, filho de pernambucano e cria da Vila Medeiros, do restaurante Mocotó.
Dadinhos de tapioca do Mocotó
Rendimento: 20 unidades
Dificuldade: média
Tempo de preparo: 3,5 horas
Ingredientes
- 500 de tapioca granulada
- 600 g de queijo coalho
- 2,5 colheres (sopa) de sal (a quantidade pode variar de acordo com o sal do queijo)
- 1 pitada (generosa) de pimenta-do-reino branca
- 1 litro de leite
- Óleo vegetal para fritar
Preparo
- Forre com papel-filme uma assadeira retangular de aproximadamente 20 cm x 30 cm
- Rale o queijo e misture com a tapioca, o sal e a pimenta. Misture bem para não empelotar
- Junte o leite fervente, mexendo sempre. Continue mexendo até a mistura se firmar
- Despeje a mistura na assadeira. Deixe esfriar e depois leve à geladeira por pelo menos três horas
- Corte em cubos e frite por imersão a 170°C até dourar. Sirva com molho de pimenta agridoce
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Autor: Folha






