
O sonho presidencial de Ratinho Junior (PSD) começou a ser desenhado no ano passado em um cenário diferente do que se apresenta hoje: ele enfrentaria diretamente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o principal candidato de direita. A entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa não chegou a frear os planos do governador do Paraná, mas mudou os cálculos dos riscos e do que pode ganhar e perder com o seu nome nas urnas nessas circunstâncias.
Contra Lula, ele buscaria uma vitória no segundo turno. Com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), esse objetivo fica mais distante. Na pesquisa Quaest deste mês, ele chega a 7% das intenções de voto, enquanto Lula vai a 37% e Flávio chega a 30%. Um cenário que hoje o deixa sem chances de avançar ao segundo turno e chegar ao Palácio do Planalto após as eleições de 2026.
Ratinho Junior não cogita concorrer ao Senado Federal. Ele mesmo já disse que o seu papel na política é no Poder Executivo. Sem poder se reeleger ao governo do Paraná por estar no segundo mandato consecutivo, não lhe resta outra opção. Ou vira cabeça de chapa — o que deve ser confirmado pelo PSD nos próximos dias — ou se torna vice. Esta última opção ele já negou após convite da campanha de Flávio Bolsonaro.
Ele tem até o dia 4 de abril para se desincompatibilizar e iniciar a pré-campanha presidencial, agora tentando avançar principalmente sobre o eleitor de centro que não encontra na polarização uma solução para o país. O discurso dele, inclusive, é apoiado na moderação, apesar de rejeitar a ideia de que seja uma terceira via. “Sou candidato da direita cidadã”, disse neste mês.
“Há um cansaço maior da polarização e uma decepção dos eleitores liberais de centro com as duas candidaturas. Isso faz com que as chances do Ratinho Junior possam aumentar nesse momento. Não é garantia de nada, é um grupo diminuto, mas ainda assim pode dar uma tração importante”, analisa o cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino.
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Apoio no segundo turno pode render cargo para Ratinho Junior
Essa tração, no entanto, pode não ser suficiente e ele acabe ficando pelo caminho, restando a possibilidade de negociar apoio a Flávio no segundo turno em troca de posições estratégicas em um eventual novo governo da família Bolsonaro. Não só dele, mas também do PSD, dirigido nacionalmente por Gilberto Kassab, que hoje tem um pé no governo federal e outro na oposição. A diretoria-geral de Itaipu Binacional, por exemplo, é um cargo que estaria no radar de Ratinho Junior.
Além de concorrerem ao mesmo cargo, as negociações em âmbito local entre os dois ficou mais difícil após o PL se aproximar de Sergio Moro (União Brasil) — ele vai se filiar na próxima terça-feira (24) — para garantir palanque a Flávio no Paraná e fazer frente a um indicado de Ratinho Junior na disputa pela sua sucessão no Palácio Iguaçu — sede do governo paranaense.
Há outro aspecto que pesa para Ratinho Junior seguir na disputa presidencial. O resultado desejado pode não vir agora, mas quem sabe nas próximas eleições. “Ele ganha com a possibilidade de nacionalizar o nome dele para 2030”, acrescenta Consentino, que ainda lembra que uma campanha para presidente dá visibilidade ao partido no pleito para a Câmara dos Deputados. “O partido dele ganha ao fazer uma bancada importante de deputados federais”, completa.
Sem mandato, Ratinho Junior precisaria se reinserir na política
Ratinho Junior foi eleito a um cargo público pela primeira vez em 2002, quando se tornou deputado estadual aos 21 anos. Depois emendou dois mandatos de deputado federal, antes de retornar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para mais um ciclo. Em 2018 foi eleito governador, sendo reeleito quatro anos mais tarde. Nessa trajetória de mais de 20 anos, ele não sabe o que é ficar sem um cargo eletivo.
Sem mandato, ele teria uma perda de projeção e precisaria se reinserir nos cenários estadual e nacional para manter o seu nome nos holofotes, especialmente se pretender voltar a tentar a Presidência da República em 2030.
“Ficar sem mandato político, por 4 anos, é algo bastante arriscado e teria que pesar muito bem os prós e contras da aventura presidencial”, observa o professor do Insper. “Hoje [a campanha presidencial] beneficia muito mais o partido dele do que ele. Mas é um cálculo que ele vai ter que fazer nesse momento”, finaliza.
- Metodologia da pesquisa citada: A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de março. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-05809/2026.
Fonte: Gazeta do Povo








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