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Samsung Galaxy S26 Ultra: veja análise da Folha – 23/03/2026 – Tec

Durante boa parte da primeira década dos smartphones, cada nova geração trazia uma mudança fácil de perceber. O primeiro iPhone popularizou a navegação por toque; poucos meses depois vieram as lojas de aplicativos; em seguida, os aparelhos ganharam telas maiores, sensores de impressão digital e câmeras capazes de substituir, para muita gente, as compactas digitais.

Hoje, as mudanças são mais discretas. Processadores ficam um pouco mais rápidos e baterias duram algumas horas a mais. O Galaxy S26 Ultra, lançado no Brasil em fevereiro a partir de R$ 11.499, tenta recuperar o passado com algumas novidades de hardware, o que é positivo, mas também mostra o quanto a indústria está “na seca” e se acostumou a evoluções pequenas.

A principal novidade do aparelho é a chamada tela privativa, um sistema integrado ao próprio display que limita o ângulo de visão lateral quando ativado. Na prática, quem olha de lado vê apenas uma área escurecida, enquanto o usuário continua enxergando o conteúdo normalmente.

A ferramenta atende a uma demanda antiga de quem já usava as “películas privativas”, filtro físico escuro que prejudicava a visibilidade até do dono do celular.

Em vez disso, a tecnologia direciona a luz dos pixels para que chegue apenas no olho de quem estiver logo em frente ao dispositivo. E quando o modo está desligado, a tela volta a operar com brilho e ângulo de visão completos.

O recurso permite inclusive selecionar apenas uma área da tela para proteção, útil para esconder notificações comprometedoras ou senhas enquanto o restante do conteúdo permanece visível. Há também um “modo de privacidade máxima”, que prejudica um pouco a visibilidade da tela, mas mantém a restrição mesmo em ambientes escuros.

Na câmera, uma função curiosa aparece no estabilizador de vídeo: o bloqueio horizontal. Com a opção ativada, mesmo quando o telefone é girado completamente, inclusive de cabeça para baixo, o sistema tenta manter a imagem alinhada na mesma orientação.

Em testes feitos pela reportagem, a ferramenta conseguiu preservar o enquadramento na maior parte do tempo, embora com alguns tremores perceptíveis. A limitação é que o recurso não funciona em 4K, ficando restrito a gravações de até 1440p.

Ainda em hardware, o aparelho abandona a estrutura de titânio da geração anterior e retorna ao alumínio, para não aumentar tanto o peso com as novas ferramentas adicionadas.

Na parte do software, boa parte das novidades do S26 Ultra está na camada de inteligência artificial integrada ao sistema One UI 8.5. A atualização da agente Bixby consegue executar tarefas dentro do telefone, como abrir aplicativos, alterar configurações, usar a calculadora ou solicitar um carro em serviços de transporte.

No entanto, aplicativos como WhatsApp ou redes sociais não permitem esse tipo de acesso, o que impede a assistente de enviar mensagens ou publicar conteúdos em nome do usuário.

Segundo a própria Bixby explica quando questionada, essas plataformas não disponibilizaram APIs (interface de programação de aplicações) que autorizem esse tipo de ação por assistentes virtuais.

A Samsung também ampliou as ferramentas de edição de imagem por inteligência artificial, que permitem inserir elementos ou remover objetos diretamente no celular —o recurso também funciona a partir de comandos escritos. A ferramenta consegue remover óculos de uma pessoa e ajustar maquiagem, por exemplo, sem exigir aplicativos externos ou muito esforço.

Nos testes, a Folha constatou que quando a ferramenta considera que uma alteração não pode ser feita, ela responde “Não foi possível gerar a edição solicitada. Tente algo diferente”. O bloqueio impede manipulações potencialmente problemáticas, e se recusa, por exemplo, a trocar roupas de pessoas em fotos ou fazer duas pessoas aparecerem se beijando em uma imagem.

O filtro, porém, também barra pedidos bem mais simples. Alterar a expressão facial de alguém ou pedir transformações mais subjetivas costuma resultar na mesma resposta de erro. O recurso parece funcionar melhor para edições pontuais, como inserir desenhos ou objetos fictícios, do que para manipulações mais elaboradas.

A reportagem também testou o carregador ultrarrápido de 60 W, que promete chegar a 75% em apenas meia hora. No primeiro carregamento do Galaxy S26 Ultra, a bateria saiu de 0% para 20% em cerca de oito minutos, chegando a 60% após 25 minutos conectado à tomada.

A velocidade diminui a partir dos 75%, para evitar sobrecarga, mas os 100% ainda chegaram em cerca de uma hora no total.

A Samsung ainda apresentou junto ao aparelho os novos Galaxy Buds4. Os fones chamam atenção pelo encaixe confortável, que permanece estável mesmo durante movimentações bruscas.

O cancelamento de ruído ativo funciona bem, mas não impressiona tanto quanto o de alguns concorrentes diretos da categoria. Entre as funções curiosas está um sistema que detecta sons muito altos, como sirenes, e envia alertas ao usuário.

Uma das propostas da fabricante é que o fone se conecte automaticamente ao telefone apenas ao abrir a case próximo ao aparelho, mas em alguns testes o pareamento precisou ser feito manualmente.

No conjunto, o Galaxy S26 Ultra e seus acessórios entregam o desempenho e os recursos esperados de um celular no topo da linha da Samsung. As (poucas) novas ferramentas são criativas e funcionam bem na maior parte do tempo, mas não mudam de forma muito relevante o uso cotidiano do aparelho.

Autor: Folha

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