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OMS recomenda testes portáteis para tuberculose – 24/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou nesta terça-feira (24), Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a adoção de uma nova geração de testes portáteis para diagnosticar a doença. Os equipamentos funcionam com bateria, cabem em unidades básicas de saúde e entregam resultados em menos de uma hora, segundo a organização.

A medida integra novas diretrizes divulgadas pela entidade com o objetivo diagnosticar a doença com rapidez e reduzir o tempo entre a detecção e o início do tratamento.

O custo dos novos dispositivos é inferior à metade do cobrado pelos diagnósticos moleculares em uso na maioria dos países, segundo a OMS. O preço mais acessível é um dos principais argumentos para a adoção em larga escala, especialmente em países de baixa e média renda, onde a tuberculose continua sendo um problema de saúde pública grave.

“Na prática, isso permite fazer o teste na hora, em campo, e já iniciar o tratamento imediatamente”, explica a infectologista Valéria Cavalcanti Rolla, pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Segundo ela, essa agilidade é central para conter a transmissão. “A tuberculose só é controlada se for tratada rapidamente.”

Tradicionalmente, o diagnóstico é feito a partir do exame de escarro. Por décadas, o principal método foi a baciloscopia, em que a amostra é analisada no microscópio para identificar a bactéria causadora da doença. Apesar de rápida, a técnica tem baixa sensibilidade, ou seja, pode deixar de detectar casos existentes.

Em muitos países, segundo a OMS, a confirmação da tuberculose ainda depende do transporte de amostras para laboratórios centralizados, o que atrasa o início do tratamento e favorece a transmissão. Os novos testes portáteis foram desenvolvidos para eliminar essa dependência, levando a capacidade diagnóstica para unidades de saúde locais, postos comunitários e regiões remotas.

Além de acelerar o início da terapia, a testagem imediata pode ajudar a interromper cadeias de transmissão dentro das comunidades e das famílias —um ponto crítico, já que muitas infecções acontecem antes mesmo do diagnóstico ser confirmado em laboratório.

Embora o SUS (Sistema Único de Saúde) já utilize testes moleculares modernos, a recomendação da OMS foca em torná-los mais acessíveis, com versões portáteis e coletas simplificadas, que permitam diagnóstico imediato no local de atendimento.

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz, que também integra o comitê científico de tuberculose da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o diagnóstico da tuberculose é feito principalmente com equipamentos como o GeneXpert no Brasil. Testes portáteis, como o Truenat, têm desempenho semelhante, mas ainda não são amplamente usados no país.

A principal diferença é de estratégia. Enquanto esses aparelhos permitem levar o exame até o paciente, o SUS aposta na capilaridade da rede, com unidades de saúde próximas da população, explica a médica. Especialistas apontam que tecnologias móveis podem ampliar a detecção de casos, mas destacam que o modelo brasileiro prioriza o acesso contínuo e o cuidado integral.

Também fazem parte das novas recomendações os chamados swabs de língua, uma técnica simples de coleta de amostra que permite testar pacientes adultos e adolescentes que não conseguem produzir escarro —o catarro eliminado pela tosse—, grupo excluído dos programas de rastreamento e com maior risco de morte pela doença.

Outra estratégia recomendada pela OMS é o agrupamento de amostras de escarro de diferentes pacientes para análise conjunta, o que reduz o uso de insumos e o tempo de processamento nos laboratórios —medida indicada sobretudo em contextos com recursos muito limitados. Nesses casos, as amostras de várias pessoas são misturadas e testadas de uma vez e só testam individualmente se o resultado do grupo for positivo.

A tuberculose ainda é um dos principais desafios de saúde pública, com alta carga de adoecimento e mortes, apesar de ser uma doença conhecida e com diagnóstico e tratamento disponíveis. Segundo a OMS, mais de 29 mil pessoas adoecem todos os dias, e ao menos 3.300 morrem.

Para o infectologista Hugo Morales, um dos maiores entraves continua sendo a identificação dos casos. “O primeiro grande obstáculo é fazer o diagnóstico, especialmente pela dificuldade de suspeição clínica”, afirma. Segundo ele, mesmo com sintomas clássicos, como tosse persistente por mais de duas a três semanas, muitos pacientes não são prontamente investigados.

Autor: Folha

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