Vídeos gerados por inteligência artificial estão inundando as redes sociais, deixando as pessoas em dúvida sobre o que é verdade ou ficção, devido ao alto grau de realismo alcançado. Uma das ferramentas mais utilizadas para a criação desses conteúdos é a IA Sora.
Solução mais recente da OpenAI para a geração de conteúdos audiovisuais, ela foi anunciada em 2024 e se tornou uma das mais populares do segmento. No entanto, se envolveu em polêmicas relacionadas a direitos autorais e outros problemas, resultando em debates sobre a sua utilização.
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O que é a Sora e qual é a proposta da OpenAI
Desenvolvido pela mesma startup do ChatGPT, Sora é um modelo de IA generativa com capacidade de transformar descrições textuais em vídeos realistas. Além dos prompts de texto, a ferramenta pode se basear em imagens de referência para a geração dos clipes.
Isso significa que o usuário descreve o tipo de vídeo desejado e a tecnologia desenvolve o conteúdo correspondente. Ela consegue, ainda, animar imagens estáticas e combinar vídeos e fotos em um mesmo material.
Originalmente, Sora foi projetada para uso profissional por criadores de conteúdo, anunciantes e cineastas. No entanto, a geração de vídeos com IA ganhou popularidade entre o público em geral, com a oferta de diferentes ferramentas de criação de vídeos automáticos.
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No segundo semestre de 2025, a empresa anunciou o Sora 2, nova versão da plataforma que gera vídeos de maneira ainda mais fácil. A atualização é acessível gratuitamente via app para iOS e Android, tendo como foco o compartilhamento de vídeos curtos ao estilo TikTok e Instagram.
Porém, os apps ainda estão restritos a mercados selecionados como Estados Unidos, Canadá, Japão e Coreia do Sul, com acesso por convite. Para quem tem uma conta gratuita do ChatGPT, há restrições como duração reduzida dos clipes e quantidade limitada de conteúdos gerados.
Já a versão da Sora para uso profissional, mais completa e com recursos avançados, está disponível via interface web para planos pagos do ChatGPT. Ela inclui funções extras, entre as quais maior resolução, duração ampliada e ausência de marca d’água.
Que tipo de vídeos a Sora consegue criar
De acordo com a desenvolvedora, a IA de vídeos é indicada para projetos criativos. Para influenciadores que pretendem otimizar a produção, a plataforma oferece a geração de clipes rápidos, com visuais dinâmicos e de alta qualidade para redes sociais.
Os vídeos por texto gerados também são usados em campanhas de marketing, auxiliando na redução de custos. Economia semelhante é obtida por cineastas, que têm na tecnologia uma aliada para o planejamento de cenas assistidas por IA antes da gravação original.
Educadores e empresários são outros públicos-alvo da Sora OpenAI, gerando vídeos explicativos para exibição em sala de aula, clipes para complementar materiais de treinamento e conteúdos promocionais de curta duração para redes sociais.
Por meio dela, é possível gerar de cenas realistas e complexas, com diversos personagens, movimentos específicos e áudio embutido, a animações em diferentes estilos. O modelo é utilizado, ainda, na criação de narrativas visuais para ilustrar histórias e notícias.
Sora AI: diferença de outras ferramentas de vídeos com IA
Há uma boa oferta de geradores de vídeos com IA, trazendo capacidades semelhantes, como o Google Veo, testado pelo TecMundo, mostrando resultados convincentes. Opções como Pika Labs e Runway AI são outros concorrentes diretos.
No entanto, o modelo da OpenAI se diferencia pelos resultados utrarrealistas. Isso se deve a avanços como maior controle da física, com personagens e objetos apresentando movimentos parecidos com o mundo real, elevando a qualidade dos clipes.
Outras inovações são o áudio sincronizado, adicionando vozes, efeitos, ruídos e músicas para acompanhar as cenas, tornando-as mais naturais. Na versão recente, é possível inserir a voz e a imagem do usuário, além de selecionar a estética preferida.
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Usuários das versões pagas têm acesso, ainda, aos recursos de remix e recorte, que permitem modificar vídeos existentes, enquanto o loop facilita a criação de repetições contínuas. O storyboard é outro ponto positivo, oferecendo maior precisão no controle da narrativa.
Nas diferenças entre Sora e outras IAs de vídeo vale destacar, ainda, a geração de conteúdos mais longos, aproximando a ferramenta da produção cinematográfica. As rivais, em sua maioria, priorizam clipes curtos para conteúdos divertidos, marketing, avatares e memes para redes sociais.
Vantagens e limitações da Sora
Os vídeos por texto criados pelo modelo são mais fiéis ao prompt, apresentando maior capacidade de seguir instruções. Ele também traz vários recursos de edição para transformar vídeos existentes.
Por outro lado, lida com desafios comuns a outras IAs de vídeo. A plataforma pode ter dificuldade para produzir narrativas com várias cenas e longa duração, e ainda sofre ao simular interações físicas e reações realistas, apesar dos avanços na compreensão da física do mundo real.
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Limitações aparecem, ainda, na geração de rostos humanos fotorrealistas de forma consistente, impedindo o uso em produções de alto orçamento. Distorções nos membros do corpo, retratados em tamanho exagerado e de maneira estranha, são comuns nos clipes feitos pela tecnologia.
Outro desafio enfrentados é o acesso limitado, com os principais recursos exclusivos para assinantes, dificultando a experimentação em larga escala. Dessa forma, a Sora IA não substitui ferramentas de edição de vídeo nem gravações profissionais, pelo menos por enquanto.
Como escrever bons prompts para a Sora
Um dos segredos para resultados satisfatórios na criação de vídeos com a Sora é a elaboração de instruções detalhadas. Pensando como um cineasta, o usuário deve descrever o ambiente, o tipo de ação, o estilo que o clipe terá e os detalhes da câmera.
Na dúvida sobre como criar prompts para vídeo eficientes na Sora? Confira essas dicas:
- Descreva a cena e a ação em etapas, fornecendo uma estrutura temporal;
- Use linguagem descritiva para fornecer o contexto, indicando a atmosfera que deve ser seguida;
- Não utilize informações vagas, mencionando personagens, ações, cenários e o horário em que a história se passa para evitar ambiguidades;
- Cite detalhes como ângulo e movimentos da câmera, iluminação, cores e estilo;
- Se a ideia for complexa, crie vídeos curtos, dividindo-os em vários prompts, e faça a montagem posteriormente;
- Teste diferentes versões do prompt, refinando o texto após conferir o resultado apresentado.
Deepfakes, desinformação e uso indevido
Não depender de ferramentas caras e complicadas, substituídas por prompts de texto, representou um grande avanço. Porém, as capacidades de geração de vídeos com IA da Sora também são aproveitadas para práticas ilícitas envolvendo deepfake e IA.
Vídeos manipulados de figuras públicas espalhando desinformação, acumulando milhões de visualizações, levantaram preocupações sobre uso indevido da tecnologia. A IA também permitiu gerar vídeos racistas, violentos e de teor sexual, inclusive por menores de idade.
Medidas de segurança adotadas pela OpenAI
Para evitar a propagação de conteúdos enganosos, a desenvolvedora implementou o Filtro de Uso Indevido de Imagem, que impede a adição de imagens de pessoas reais sem consentimento. Se o usuário citar o nome de uma celebridade no prompt, a tecnologia bloqueia a solicitação.
A startup também lançou um controle mais detalhado para as pessoas que fornecem seus rostos pelo recurso “Cameo” do Sora 2, possibilitando definir como e onde essas imagens serão utilizadas. Além disso, tem trabalhado em uma marca d’água difícil de remover.
Outra medida foi o acordo de licenciamento com a Disney, permitindo o uso de personagens pertencentes à gigante do entretenimento nos vídeos feitos por IA. A parceria é um passo inicial para reduzir problemas de direitos autorais.
O debate ético sobre vídeos de IA
Junto às questões legais, o crescimento das plataformas e a proliferação de conteúdos manipulados vem gerando debates éticos a respeito da tecnologia. Especialistas como o professor da USC Marshall School of Business (EUA), Nathanael Fast, ressaltam que o uso desenfreado será problemático a longo prazo.
Em entrevista à CNET, ele comentou que os clipes feitos por IA generativa podem “corroer nosso senso de confiança e capacidade de entender o que é real”. Fast também alertou que muitas startups pensam só em ganhar dinheiro, em vez de resolver problemas ou ajudar as pessoas a se tornarem melhores.
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Outros dilemas éticos relacionados à inteligência artificial para vídeos são o reforço de preconceitos nos conteúdos manipulados, a substituição de postos de trabalho, a privacidade e a governança dos dados. A falta de regulação é apontada como outro problema crítico.
Já usou a Sora AI? O que pensa sobre o futuro da produção de vídeos com inteligência artificial? Use a seção de comentários e as redes sociais do TecMundo para se expressar.
Autor: TecMundo






