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BNDES: crédito para biocombustíveis cresce em 2025 – 14/01/2026 – Economia

A aprovação de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para projetos de produção de biocombustíveis cresceu de R$ 4,3 bilhões em 2024 para R$ 6,4 bilhões em 2025.

A instituição pública afirma que o patamar de 2025 é o maior já registrado em uma série histórica que considera valores nominais –não ajustados pela inflação. Até então, o ano com a aprovação mais elevada havia sido 2010 (R$ 4,8 bilhões).

Conforme o banco, as operações abrangem diferentes tipos de investimento em biocombustíveis, desde a instalação de unidades fabris até o desenvolvimento de tecnologias usadas na produção.

A aprovação do crédito é o passo anterior ao desembolso dos recursos.

“É um setor que está indo além do tradicional. Está desenvolvendo tecnologia, fazendo expansão. Está se modernizando”, diz à Folha o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do BNDES, José Luis Gordon.

Segundo ele, o carro-chefe dos projetos apoiados pelo banco tem sido o etanol de milho.

Na segunda-feira (12), a instituição anunciou a aprovação de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial construir a sua sexta biorrefinaria no Brasil.

Essa unidade deverá produzir etanol a partir da moagem de milho, sorgo e outros grãos em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia (a cerca de 950 km de Salvador).

Gordon atribui a alta na aprovação de crédito a uma combinação de fatores, incluindo o potencial do Brasil na área de biocombustíveis, a “agenda verde” da política industrial do governo Lula (PT) e a ampliação de recursos do Fundo Clima, que garante parte dos empréstimos.

Conforme o diretor, o BNDES costuma fazer um “blend” ao financiar os investimentos —ou seja, uma mistura entre as taxas de juro de mercado e as condições previstas pelo fundo.

Gordon evita estimar qual deve ser o tamanho da aprovação de crédito para o setor em 2026. Ele diz que o segmento tem crescido, que o BNDES opera sob demanda e que a instituição está disposta a apoiar as iniciativas no que for necessário.

De acordo com o banco, a aprovação de financiamentos para biocombustíveis chegou a R$ 13,3 bilhões desde 2023, ano inicial do terceiro governo Lula.

O BNDES afirma que a cifra é 204% maior do que a registrada no intervalo de 2019 a 2022 (R$ 4,4 bilhões), no mandato de Jair Bolsonaro (PL).

O governo petista defende uma atuação fortalecida do banco no financiamento a diferentes setores da economia, mas a posição é vista com ressalvas por uma ala de economistas.

Eles temem um inchaço das operações e uma eventual reciclagem de ideias de outros mandatos do PT.

A direção do BNDES já rebateu as críticas em mais de uma ocasião, dizendo que aposta em áreas consideradas estratégicas, como energia limpa e inovação.

“O governo do presidente Lula retomou o apoio à produção de biocombustíveis no país a partir de 2023 porque representa um passo estratégico do Brasil no enfrentamento às mudanças climáticas”, afirma em nota o presidente do banco, Aloizio Mercadante.

“Ao financiar energia limpa e renovável, o BNDES fortalece a indústria nacional, contribui com a redução das emissões e consolida o país como protagonista da transição energética justa e sustentável”, acrescenta.

A corrida por energia limpa movimenta investimentos, mas também enfrenta desafios no Brasil. Um deles é o impacto que a instalação de projetos como parques eólicos pode gerar longe dos grandes centros urbanos.

Em regiões como o Nordeste, comunidades criaram movimentos de resistência a empresas de energia devido às mudanças que as construções do tipo provocaram na rotina de pessoas e animais, como noticiou a Folha em 2024.

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