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‘É surreal’: a ressurreição olímpica de Bruna Moura – 23/01/2026 – Esporte

De seu leito hospitalar, sofrendo múltiplas fraturas após um acidente de trânsito que a obrigou a perder os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, a esquiadora brasileira Bruna Moura fez uma promessa a si mesma: levantar-se e competir novamente. Quatro anos depois, ela estará em Milão-Cortina d’Ampezzo 2026.

Enquanto contava os dias para sua estreia olímpica em Pequim 2022, Moura viajava como passageira em uma van da Áustria para a Alemanha, onde pegaria um voo para a China.

Ela nunca chegou.

O veículo sofreu um acidente e o motorista morreu na hora. Ela foi levada de helicóptero para um hospital com fraturas em três costelas, um braço e o pé esquerdo, além de danos pulmonares.

“Desde os primeiros dias após o acidente, eu repetia para mim mesma que me classificaria para 2026. Não era arrogância; era um sonho, e eu lutaria por ele”, diz Moura, de 31 anos, nascida em Caraguatatuba, no litoral paulista.

“Não podíamos garantir o que aconteceria ao longo de quatro anos, mas podíamos garantir o quanto lutaríamos”, afirma ela em uma videochamada de Nunspeet, cidade de 28 mil habitantes na Holanda, onde vive há quatro anos.

Moura competirá pelo Brasil em três provas de esqui cross-country nestas Olimpíadas: o sprint individual, o sprint por equipes e os 10 km.

Nenhum país sul-americano jamais conquistou uma medalha na competição de inverno.

Dor como rotina

“A sensação que tenho é de vitória, uma sensação que não tive quando me classifiquei para Pequim. É completamente diferente”, diz ela, sorrindo. “É surreal”, acrescenta, embora ainda sinta desconforto no pé esquerdo ao esquiar.

Durante a longa reabilitação, até coisas simples como tomar banho eram um desafio.

Ela retornou às competições em 2023, adaptando seus métodos de treinamento às consequências do acidente: “A dor se tornou parte da rotina”.

E o destino pareceu conspirar contra ela. Em 2024, foi diagnosticada com toxoplasmose, perdeu 25% da visão do olho direito e teve que parar novamente.

A estratégia que desenvolveu com sua treinadora, a esquiadora olímpica letã Baiba Bendika, foi focar em seu ponto forte, o sprint, devido às dificuldades físicas que enfrentava em provas de longa distância.

“Eu sempre tive melhores resultados em provas mais curtas, sempre fui mais explosiva, mas depois do acidente, melhorei ainda mais”, diz Moura.

“Minha treinadora levou tudo em consideração. Houve momentos em que eu quis me esforçar um pouco mais, e ela me conteve. Ela dizia: ‘Não vamos por esse caminho’”, explica.

“Quando você tem um ponto forte e um ponto fraco, geralmente se concentra no ponto fraco para tentar equilibrar tudo, mas sabíamos que meu ponto forte ainda tinha muito espaço para melhorar”, insiste.

Promessa cumprida

Cada obstáculo reavivava o trauma do acidente. Sua psicóloga, conta Moura, sempre a lembrava da “promessa que aquela garota fez no leito do hospital”.

“Foi muito bonito”, acrescentou.

No final de 2025, ela retornou para as seletivas e conquistou sua vaga nos Jogos Olímpicos.

“Por mais da metade da minha vida, lutei para me tornar uma atleta olímpica, mas não quero simplesmente chegar lá e dizer: ‘Sou uma atleta olímpica, cruzei a linha de chegada’”, afirma. “Quero dar tudo de mim pelo meu país, pelas pessoas que me ajudaram, por este sonho.”

O Brasil terá sua maior delegação na história dos Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, com 14 atletas.

Autor: Folha

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