O Comitê Olímpico da Nova Zelândia reconheceu nesta sexta-feira (27) o trabalho envolvido no desenvolvimento da nova política olímpica de proteção da categoria feminina no esporte de elite e disse que a aplicará com “respeito e cuidado”.
A política, divulgada pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) na quinta-feira (26), introduz testes genéticos que, na prática, impedirão atletas transgênero e algumas com Diferenças no Desenvolvimento Sexual (DSD) de competirem na categoria feminina nos Jogos.
A halterofilista neozelandesa Laurel Hubbard, que nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 se tornou a primeira atleta a competir em uma categoria de gênero diferente daquela de seu gênero de nascimento, não seria mais elegível.
“Reconhecemos a extensa consulta e a contribuição de especialistas que embasaram esta política para trazer maior clareza, consistência e justiça à elegibilidade para a categoria feminina no nível olímpico”, disse a diretora-executiva do CONZ (Comitê Olímpico da Nova Zelândia), Nicki Nicol, em comunicado.
“Nosso foco agora é compreender plenamente a política e trabalhar com cuidado para garantir que quaisquer próximos passos sejam abordados com clareza, respeito e atenção. Esta é uma área complexa e sensível que afeta diretamente as pessoas, não apenas as políticas. Estamos comprometidos em demonstrar Manaaki (cuidado) apoiando o bem-estar, a privacidade e a dignidade dos atletas”, declarou a dirigente.
O grupo de trabalho do COI, cuja pesquisa fundamentou a política, constatou que as evidências científicas apontavam para uma vantagem de desempenho masculino em todos os esportes e de mais de 100% em eventos que envolvem força explosiva, como o levantamento de peso.
Além disso, não encontraram “evidências atuais de que a supressão de testosterona ou o tratamento hormonal de afirmação de gênero eliminem essa vantagem”.
Opositores da política contestam os dados apresentados, têm preocupações com a saúde mental de atletas transgêneros, bem como com a proteção e o impacto sobre atletas que descobrem ter DDS somente após realizar o teste SRY.
O grupo australiano de direitos esportivos LGBT, Pride Cup, pediu na sexta-feira às federações esportivas nacionais do país, muitas das quais comprometidas com a inclusão de atletas com diversidade de gênero, que rejeitem a nova política.
“(Ela muda) o foco do esporte feminino para a exclusão, propondo testes genéticos e regras de elegibilidade mais rígidas que não fazem nada para melhorar as condições para as mulheres no esporte”, disse o grupo.
O COA (Comitê Olímpico Australiano), no entanto, reconheceu a nova política e a “justiça e certeza” que ela proporciona às atletas de elite.
“Esta decisão será um desafio para algumas atletas e estamos atentos ao seu bem-estar”, disse o presidente do COA, Ian Chesterman.
“Também reconhecemos que esta decisão não se aplica a programas esportivos de base ou recreativos.”
O Comitê Olímpico Francês afirmou na quinta-feira que tinha “grandes preocupações éticas e científicas com todos os afetados” e que os testes SRY seriam ilegais na França, de acordo com a rigorosa lei de bioética do país sobre testes genéticos.
Atletas franceses enfrentaram desafios para se adequar a requisitos semelhantes impostos pela World Athletics antes do Campeonato Mundial do ano passado, mas puderam realizar o teste de saliva fora da França.
O COI não previu grandes problemas com a questão da legalidade.
“Com base na experiência da Federação Internacional, a triagem genética para determinar o sexo não cria problemas significativos na prática”, dizia o documento da política.
“É legal na maioria dos países, e atletas de países onde não é permitido podem ser legalmente testados em outro lugar.”
Autor: Folha








.gif)












