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Paraná amplia projeto de queijos finos e mira alta na renda rural

O governo do Paraná decidiu apostar nos queijos finos como estratégia para transformar a cadeia leiteira em um negócio de maior valor agregado. Em parceria com o parque tecnológico Biopark, localizado em Toledo (PR), o estado anunciou o investimento de R$ 3,8 milhões para expandir o Projeto Queijos Finos a quatro novas regiões, com a meta de consolidar o Paraná como referência nesse segmento.

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A lógica é simples, mas ambiciosa: substituir a venda de leite in natura, sujeita à volatilidade das commodities, pela produção de queijos finos maturados, capazes de multiplicar o valor obtido por litro processado. Segundo o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark, Tiago Mendes, o impacto econômico tem potencial expressivo.

“O mesmo volume de leite que gera um queijo tradicional vendido entre R$ 30 e R$ 40 o quilo pode ser transformado em queijos finos comercializados entre R$ 120 e R$ 150. Em casos premiados, já ultrapassamos R$ 400 por quilo. O potencial de aumento de receita pode chegar a até 380%”, afirma ele.

Entre os nove melhores queijos do mundo em 2024, o Passionata simboliza o potencial de agregação de valor defendido pelo projeto de queijos finos no Paraná.
Entre os nove melhores queijos do mundo em 2024, o Passionata simboliza o potencial de agregação de valor defendido pelo projeto de queijos finos no Paraná. (Foto: Divulgação/Biopark)

Produção de queijos finos multiplica renda e fortalece agroindústrias

A expansão representa a transição de um modelo baseado em volume para outro focado em qualidade, diferenciação e posicionamento de mercado. Mendes explica que os produtores podem multiplicar de três a cinco vezes o valor agregado por litro de leite, dependendo do portfólio e da estratégia de comercialização.

“O retorno financeiro pode começar entre seis e 18 meses após o início da produção. Queijos de maturação curta aceleram o fluxo de caixa, enquanto os de maturação longa ampliam margem”, detalha.

O investimento na propriedade varia entre R$ 30 mil e R$ 150 mil, conforme escala e tecnologia adotada. O projeto é gratuito e oferece suporte técnico, protocolos validados e orientação regulatória, além de auxiliar na busca por crédito.

Para Marcos Aurélio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia na pasta estadual de mesmo nome, a iniciativa integra uma estratégia mais ampla de verticalização da produção agropecuária. “Ao transformar leite in natura em queijos finos, fortalecemos a agroindústria regional, reduzimos a dependência de commodities e ampliamos a competitividade do Paraná”, diz.

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A busca pela Indicação Geográfica

A expansão prevê capacitação técnica, transferência de tecnologia, suporte regulatório e construção das bases para certificações como Indicação Geográfica. Segundo Pelegrina, o sucesso será medido por indicadores como número de produtores capacitados, agroindústrias implantadas, volume de queijos finos produzidos e aumento efetivo da renda rural.

“O projeto já é validado no oeste e agora alcança 50% das mesorregiões do estado. À medida que os resultados econômicos e sociais se consolidam, há potencial de novos investimentos públicos e privados”, projeta ele.

Além da renda direta nas propriedades, a cadeia dos queijos finos pode impulsionar empregos em processamento, maturação, logística, comercialização e turismo rural. Empórios especializados, rotas gastronômicas e restaurantes passam a integrar esse ecossistema.

O mercado interno, segundo Mendes, apresenta crescimento consistente, impulsionado pela demanda por produtos artesanais e de origem conhecida. A localização estratégica do Paraná facilita o acesso a grandes centros consumidores do Sul e Sudeste, além de abrir caminho para inserção gradual em nichos internacionais.

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Pequenas propriedades ganham novo fôlego com agroindustrialização

A assessora estadual de Agroindústria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Karolline Marques da Silva, aponta que o perfil do pequeno produtor paranaense é compatível com o segmento de queijos finos. “Não é hipótese, é experiência. A produção tem mais a ver com qualidade do que com volume. O desafio é qualificação técnica e posicionamento de mercado”, afirma.

Ela destaca três principais barreiras: regularização, finanças e comercialização. “Hoje a regularização é mais simples do que no passado, mas ainda há exigências sanitárias e custos de controle de qualidade. Também é preciso investir em câmaras de maturação e equipamentos. E o produtor precisa saber vender, ter marca e embalagem adequadas”.

Apesar dos desafios, os resultados já observados são animadores. Segundo Karolline, há casos de aumento de renda entre 20% e 200% quando comparados à produção de queijo fresco. “A única maneira de viabilizar pequenas propriedades é com a agroindustrialização”, diz.

O acompanhamento técnico envolve desde o manejo do rebanho até a regularização sanitária e acesso às capacitações do Biopark. “Cada instituição foca no que tem mais expertise. O produtor é quem sai ganhando”, resume.

A renda gerada pelos queijos finos, acrescenta ela, tem provocado um movimento inverso ao êxodo rural. “Temos visto filhos que saíram para estudar agora retornarem para investir na agroindústria, especialmente em produtos de maior valor agregado”.

Ao combinar tecnologia, capacitação e estratégia de mercado, o Paraná aposta nos queijos finos como vetor de desenvolvimento regional e permanência das famílias no campo. Para a assessora do IDR-PR, o diferencial vai além do preço final do produto.

“A renda do queijo pode ser o divisor de águas entre abandonar ou permanecer na atividade. Quando o produtor percebe que consegue transformar o próprio leite em um produto valorizado, reconhecido e com mercado, ele não está apenas vendendo queijos finos — ele está garantindo futuro para a propriedade e para a próxima geração”.

Autor: Gazeta do Povo

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