
O governo da Espanha, do premiê socialista Pedro Sánchez, ordenou o fechamento de seu espaço aéreo para voos dos Estados Unidos que participam da guerra dos americanos e de Israel contra o Irã, que no sábado (28) completou um mês.
A Espanha também não permite o uso de suas bases aéreas de Rota e Morón por aviões americanos, nem autoriza aeronaves militares destacadas em outros países europeus a utilizarem o espaço aéreo espanhol, segundo publicou nesta segunda-feira (30) o jornal El País e confirmaram à agência EFE fontes do Ministério da Defesa espanhol.
Anteriormente, o governo Sánchez já havia anunciado, para o atual conflito no Oriente Médio, a recusa de uso das bases militares, operadas em conjunto com os EUA conforme regulamentado em um convênio bilateral, o que levou o presidente americano, Donald Trump, a ameaçar cortar o comércio com o país europeu.
A proibição anunciada nesta segunda-feira não afeta os voos comerciais, segundo relataram à EFE fontes do gestor espanhol de navegação aérea Enaire, restringindo-se apenas às operações aéreas militares.
Posteriormente, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, assegurou que o governo comunicou “clarissimamente” aos EUA, desde o início da operação militar, que a Espanha não autorizava o uso das bases nem a utilização de seu espaço aéreo para operações relacionadas à guerra.
A Espanha “não vai autorizar em nenhum caso, nem o fez, nem o faz, nem o fará, a utilização das bases de Rota e Morón para ir a uma guerra à qual somos totalmente contrários, na qual não acreditamos e que nos parece profundamente ilegal e profundamente injusta”, reiterou a ministra.
Questionado se o fechamento do espaço aéreo pode deteriorar ou prejudicar as relações com os EUA, o primeiro-vice-presidente espanhol e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, comentou que a medida faz parte da posição do governo de não participar nem contribuir para uma guerra, segundo ele, iniciada de maneira “unilateral” e “contra a legalidade internacional”.
Cuerpo alegou que as empresas espanholas trabalham hoje nas mesmas condições que outras europeias nos EUA e que o objetivo do Executivo é tentar melhorar as relações bilaterais entre Madri e Washington.
Em entrevista à emissora de rádio Cadena Ser, o ministro anunciou a abertura de dois novos escritórios econômicos em Boston e Houston para ajudar empresas espanholas a se estabelecerem nos Estados Unidos “de maneira efetiva e bem-sucedida”.
Washington ainda não se pronunciou sobre o anúncio de Madri. Esta não é a primeira vez que Trump e Sánchez têm desentendimentos a respeito de temas militares.
No ano passado, quando, após cobrança de Trump, os países da Otan concordaram em investir ao menos 5% do PIB em defesa até 2035, o único país da aliança militar que se recusou a se comprometer com a nova meta foi a Espanha, o que levou Trump a sugerir que o país ibérico seja expulso da Otan.
Além disso, Sánchez tomou uma série de atitudes contra Israel, grande aliado americano, ao chamar de “genocídio” a ofensiva israelense contra o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza (conflito atualmente em cessar-fogo), reconhecer o Estado palestino e ingressar no processo que a África do Sul apresentou contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ), entre outras medidas.
Autor: Gazeta do Povo








.gif)












