A operação do setor elétrico é complexa e exige alta capacidade de previsão e resposta rápida a falhas, já que qualquer desarranjo pode ter consequências à população e ao setor produtivo. Para reduzir esses riscos, a inteligência artificial (IA) tem avançado no setor e contribuído para aumentar a eficiência da cadeia energética brasileira.
A inteligência artificial já é aplicada em diversas etapas da operação do sistema elétrico, na geração e armazenamento de energia e nas redes elétricas. De acordo com o relatório Energy and AI, produzido pela Agência Internacional de Energia (IEA), essa tecnologia tem o potencial de “desempenhar um papel fundamental na forma como a energia é gerada, distribuída e consumida, levando a um aumento da eficiência, sustentabilidade e resiliência.”
Entre as principais aplicações de inteligência artificial no setor elétrico, segundo a IEA, estão:
- Previsão de carga e geração renovável
- Controle automatizado
- Planejamento de projetos
- Previsão de despacho de energia
- Detecção de anomalias
- Manutenção preditiva
- Localização de falhas
No Brasil, a Axia Energia (antiga Eletrobras), por exemplo, contratou em agosto do ano passado a empresa C3 AI para expandir o uso de inteligência artificial no monitoramento e resolução de falhas em tempo real.
A solução começou a ser aplicada em dez subestações e será ampliada para todos os ativos da rede de transmissão – são mais de 70 mil quilômetros de linhas. Além disso, a ferramenta da C3 AI otimiza a produção de relatórios operacionais, reduzindo a carga de trabalho de operadores.
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) também está investindo em inteligência artificial, com foco na melhoria do fluxo de trabalho. No ano passado, a empresa lançou o EnergyGPT, que analisa uma série de documentos, base regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e normas técnicas para acelerar processos, reduzir custos e apoiar a tomada de decisão.
“A nova fronteira da energia é estratégica. Quem dominar redes digitais e inteligência energética vai liderar o crescimento econômico nas próximas décadas”, apontou o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, durante apresentação no evento South by Southwest (SXSW) 2026.
O EnergyGPT, que custou R$ 26 milhões, funcionou em piloto no ano passado e passa agora por validação em operação real.
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Inteligência artificial no setor elétrico pode avançar para a formação de preços
Apesar de a inteligência artificial já estar presente no setor elétrico, a avaliação de especialistas é de que é possível ir além. O próprio estudo da IEA aponta que o potencial de aplicação é amplo, mas ainda esbarra em questões técnicas, como escassez de dados e falta de capacitação especializada, e também em termos regulatórios.
O sócio da Área de Energia e Infraestrutura no Urbano Vitalino Advogados, Daniel Steffens, afirma que o uso da inteligência artificial no setor elétrico brasileiro ainda tem foco restrito à eficiência operacional. “A inteligência artificial é uma ferramenta disruptiva, e o uso que fazemos dela hoje é muito elementar”, opina.
Para ele, a discussão sobre IA no setor elétrico deveria ir além do nível tecnológico e entrar na questão da regulação e da economia, especialmente na modernização do modelo de formação de preços. “A inteligência artificial poderia colaborar fazendo com que avançássemos dentro de um modelo econômico que forneça variáveis mais aderentes”, acrescenta Steffens.
Para isso, no entanto, ele observa que é necessária uma mudança regulatória significativa do setor elétrico, que não foi compreendida na lei 15.269/2025, que instituiu um novo marco regulatório do setor elétrico no país.
No início de março deste ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) abriu uma consulta pública para discutir a transição para um modelo híbrido de formação de preços, passando a incorporar ofertas de quantidade de energia. Segundo o MME, a iniciativa tenta aproximar a programação da operação da realidade do sistema em tempo real.
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Autor: Gazeta do Povo








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