terça-feira, março 31, 2026
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É o fim do sertanejo no topo? Funk atropela gênero musical e é maioria no top 10 do Spotify


Como funk desbancou sertanejo e se tornou maioria no Top 10 do Spotify
O domínio histórico do sertanejo no topo do Spotify Brasil encontrou um rival em 2026: o funk. Desde o fim do ano passado, o batidão passou a ocupar a maioria no Top 10 da plataforma. O feito é impulsionado por faixas curtas, virais de redes sociais e uma produção nacional em larga escala que desafia a longevidade dos ídolos sertanejos.
Se Jorge e Mateus, Zé Neto & Cristiano e Gusttavo Lima não costumavam deixar a lista das mais tocadas em 2019, agora, em 2026, os nomes que dominam o topo do ranking são DJ Japa NK, MC Jacaré, Dj Gu e MC Meno K.
Abaixo, veja infográfico e leia 6 motivos que explicam subida do funk.
Eles foram chegando aos poucos na plataforma, até o ponto de dividir espaço de igual para igual com o sertanejo. Desde o final de 2025, o funk explodiu e se tornou o gênero predominante no topo das nas listas das mais tocadas.
Evolução do Top 10 do Spotify por gêneros
Juan Silva/g1
A virada de chave aconteceu em outubro, quando a música “Posso até não te dar flores”, de DJ Japa NK, DJ Davi Dogdog, MC Ryan SP, MC Jacaré e MC Meno K, desbancou “P do Pecado”, do Menos é Mais com Simone Mendes. O pagonejo havia ficado 105 dias não consecutivos na primeira posição do ranking, batendo recorde de permanência por lá.
Mas o título já foi superado por “Posso até não te dar flores”, que bateu 121 dias não consecutivos no topo do ranking. A música carregou com ela outras faixas do DJ Japa NK para o Top 10. Só o artista tem garantido ao menos três posições nos últimos meses do ranking. DJ Gu, MC Jacaré e DJ Oreia também encontraram espaço na lista ao longo de 2026. Entre os sertanejos resistentes estão Panda e Murilo Huff.
6 fatores explicam esse fenômeno
Davi Dogdog com MC Meno K, DJ Japa NK e MC IG (foto 1) e com MC Meno K, MC Jacaré e DJ Japa NK (foto 2)
Reprodução/Instagram
1) Viralização dos funks no Tiktok e Reels
Muitos hits viralizam primeiro nas redes sociais. São músicas que não performam bem em rádios, mas explodem nas plataformas.
E se um trecho delas aparece no Tiktok e e Reels, cresce a chance de busca nas plataformas de streaming para ouvir a versão na íntegra para tocar nas festas, no treino da academia ou nas ruas.
2) Músicas mais curtas
Na era do TikTok, o público tem pressa (ou impaciência) na hora de ouvir as músicas. E os artistas de funk entenderam isso bem há algum tempo.
As músicas de funk, em sua maioria têm pouco mais de 2 minutos. Claro que há exceções, como “Relíquia do 2T”, com 5:06. Ela é a atual medalha de prata do ranking.
Não é coincidência o fato de as duas atuais resistentes sertanejas no Top 10 serem faixas mais curtas também: “Eu te seguro”, do Panda, tem 2:28. E “Deixa eu”, de Murilo Huff, 2:38.
3) Hit com vários artistas
O feat entre dois artistas é comum na história da música. Mas uma faixa como “Posso até não te dar flores”, por exemplo, reúne cinco artistas — e os fãs de todos eles. Se somarmos os ouvintes mensais de cada um, são 85 milhões de pessoas de ouvido na faixa.
Para comparação, o sertanejo Panda, que se mantem firme no ranking desde que estourou em setembro de 2025, tem 19 milhões de ouvintes mensais.
4) Produção em larga escala
Não é raro que hits de funk sejam gravados e editados em um simples celular. A praticidade e acessibilidade fazem com que as faixas possam ser produzidas em larga escala e que surjam novidades semanalmente.
5) Expansão nacional
Há tempos que o funk não se restringe apenas ao carioca. O proibidão e o melody ganharam a companhia do MTG de Belo Horizonte, do brega-funk do Recife, do eletrofunk sulista e do mandelão de São Paulo. Esses e outros subgêneros cresceram muito e ajudaram na expansão da cena. E isso implica também no próximo ponto.
6) Efeito São Paulo
Boa parte dos funks que dominam as plataformas nos últimos meses são produzidos em São Paulo ou por artistas paulistas. MC Ryan SP, DJ Japa NK e DJ Davi DogDog são alguns deles.
Soma-se isso ao fato de São Paulo ser o maior mercado de streaming do Brasil. Com isso, se a faixa estoura no Estado, ela é empurrada rapidamente para o Top 50. Não só pelo consumo regional, mas porque o algoritmo da plataforma recomenda para outras cidades.
E o domínio sertanejo?
Diego e Victor Hugo
Alysson Estopa/Divulgação
Vale dizer que, apesar da nova estrutura no topo das plataformas, os artistas sertanejos seguem produzindo – e o gênero também se mantem estável nas plataformas.
Há anos, incluindo 2025, o hit mais ouvido do ano no Spotify é sertanejo. Nomes como o de Henrique e Juliano seguem no Top 50 com ajuda de músicas perenes. “Última saudade”, lançada pela dupla em 2024, aparece na 19ª do ranking atual, garantindo uma estratégia de cauda longa com fãs fiéis.
É uma características diferente do que acontece com os hits do funk: eles têm seu pico, mas despencam em seguida, dando lugar a um novo viral.
Resta saber se “Posso até não te dar flores”, a atual detentora do recorde de mais dias em primeiro lugar do ranking, vai ajudar a mudar essa história.

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