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Sexo e masturbação melhoram fertilidade masculina – 31/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

Pesquisas recentes apontam que masturbação e relações sexuais regulares podem melhorar qualidade do esperma e favorecer a fertilização, contrariando crenças sobre abstinência sexual. A frequência com que os homens ejaculam pode ter um impacto maior do que se pensava na fertilidade, de acordo com um estudo publicado na revista científica Proceedings B, da Royal Society.

Essas pesquisas recentes, baseadas na análise de dezenas de estudos em humanos e animais, sugerem que o esperma se deteriora com o tempo quando permanece armazenado no corpo, o que reduziria sua qualidade e capacidade de fertilização.

Relação entre abstinência e qualidade

Cientistas do Reino Unido, incluindo pesquisadores da Universidade de Oxford, liderados pelo biólogo Krish Sanghvi, analisaram 115 estudos em humanos (com 54.889 participantes) e 56 estudos em 30 espécies animais para entender como o armazenamento do esperma afeta seu desempenho.

Os resultados apontam que a abstinência sexual prolongada está associada a um aumento dos danos no DNA, do estresse oxidativo nos espermatozoides e a uma menor motilidade (capacidade de se deslocar).

“Como os espermatozoides têm alta motilidade e uma capacidade limitada de reparo, o armazenamento prolongado pode ser especialmente prejudicial”, explica Rebecca Dean, também da Universidade de Oxford. Em termos simples, quanto mais tempo o esperma permanece no corpo sem ser liberado, menor tende a ser a sua viabilidade.

“Nos homens, os efeitos negativos que observamos no dano ao DNA e no estresse oxidativo foram bastante significativos, por isso temos certeza de que se trata de um efeito biológico relevante e importante”, afirma Sanghvi, de acordo com declarações coletadas pelo site Gizmodo.

Esse padrão, no entanto, não é exclusivo dos seres humanos. A análise comparativa revelou que a deterioração do esperma com o tempo também ocorre em outras espécies, incluindo insetos, aves e répteis.

Surpreendentemente, muitos animais, tanto machos como fêmeas, armazenam esperma como parte de sua estratégia reprodutiva. Segundo a IFL Science, alguns machos podem conservá-lo por meses, enquanto certas fêmeas —como as rainhas das abelhas, vespas, formigas e alguns répteis— podem armazená-lo por anos.

“Isso provavelmente reflete a evolução de adaptações específicas nas fêmeas, como órgãos que fornecem antioxidantes para prolongar a viabilidade do esperma”, observa Irem Sepil, também pesquisadora da Universidade de Oxford.

O que isso significa para a fertilidade humana?

Essas descobertas também têm implicações diretas para a fertilidade humana. Embora não haja evidências conclusivas de que a abstinência sempre afete as taxas de fecundação natural, investigações recentes indicam que a abstinência pode influenciar tratamentos como a FIV (fertilização in vitro).

Observou-se que homens que ejaculam no período de 48 horas antes de fornecer uma amostra têm maiores chances de sucesso nesses procedimentos do que aqueles que seguem as recomendações tradicionais de se abster por dois a sete dias, o que questiona diretamente as diretrizes atuais da OMS (Organização Mundial da Saúde) —que, conforme relatado pela IFL Science e pelo Gizmodo, priorizam a quantidade de espermatozoides, mas não necessariamente a qualidade.

“Se a quantidade de esperma é a única coisa que importa para uma clínica ou um casal, a abstinência não é necessariamente negativa”, explica Sanghvi. “Mas o sucesso da fertilização geralmente depende também da qualidade do esperma, não apenas da quantidade.”

A favor da regularidade

Além da medicina reprodutiva, os resultados poderiam ser aplicados a programas de conservação de espécies ameaçadas, aprimorando as técnicas de reprodução em cativeiro e estabelecendo pontes entre a pesquisa biomédica e a zoológica.

Em geral, as evidências apontam que, em termos de fertilidade masculina, a regularidade pode ser um fator positivo —seja no sexo ou sozinho.

Aliás, outro mito em torno da masculinidade foi desbancado recentemente. Um estudo publicado no início do ano na revista Physiology & Behavior mostrou que a masturbação não prejudica o desempenho esportivo dos homens —podendo, inclusive, implicar alguma melhora.

Autor: Folha

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