Demorou 12 anos, mas São Jorge finalmente chega com seu cavalo ao estádio do Corinthians, na zona leste de São Paulo. E traz junto o dragão de sua história e um punho cerrado, como o eternizado pelo ex-jogador Sócrates (1954-2011).
A enorme escultura de aço, de 25 metros de altura e mais de uma tonelada de peso, que desde 2014 estava nas proximidades da rodovia Hélio Smidt, no caminho para o aeroporto de Guarulhos, foi retirada de lá na última quarta-feira (26) e começou a ser remontada no estacionamento da Neo Química Arena.
A expectativa do escultor Gilmar Pinna, 70, autor da obra, é que ela esteja plenamente instalada até o fim desta semana. A inauguração está prevista para 23 de abril, Dia de São Jorge, padroeiro do Corinthians.
Questionado sobre a instalação da obra e por que ela foi aceita somente agora, o clube apenas confirmou que ela vai ficar no estacionamento E5 da arena (próximo à entrada principal).
A escultura do artista corintiano, batizada de “Cavaleiro Fiel”, foi produzida em seu ateliê em Guarulhos, para ser instalada em 2014 na arena corintiana em Itaquera, quando o estádio recebeu jogos da Copa do Mundo no Brasil. Mas, como mostrou a Folha na época, a obra foi recusada pelo clube, sob a alegação de que não fazia parte do projeto do estádio.
Pinna conta que chegou a assinar um documento com o Corinthians para a doação. “Mas deu zebra e não sei o motivo. Mas sabia que uma hora iria dar certo”, afirma.
Parte da escultura —o cavaleiro Jorge em cima do cavalo empinado —acabou sendo instalada perto do aeroporto, a cerca de 20 km do estádio, após um acordo com a prefeitura de Guarulhos, por ser passagem das seleções e torcedores que iriam acompanhar o mundial de futebol em São Paulo.
Depois de anos de insistência, Pinna disse ter assinado um contrato com o clube na gestão do presidente Augusto Melo, que tomou posse em 2024, mas acabou destituído do cargo em 2025 motivado por denúncias de irregularidades em patrocínio. O acordo foi referendado pelo atual mandatário, Osmar Stabile, conforme o autor. Questionado sobre o documento, o Corinthians não respondeu.
A obra que está sendo instalada no estacionamento da arena corintiana é mais completa que a da beira de estrada. Um dragão de 12 metros de altura e uma mão com punhos cerrados, que estavam prontos e guardados desde 2014, serão incorporados.
“Essa mão é um pedido de paz para o mundo, estou ‘usando’ a arena para passar minha mensagem de artista”, afirma Pinna. ´É um monumento diferente, pois ele [o santo] não mata o dragão, não há matança”, diz —segundo a lenda, o guerreiro Jorge teria matado um dragão com uma lança.
A instalação começou no mês passado, com obras de fundação.
O artista plástico diz que o clube não teve gastos e que os custos foram bancados com a ajuda de “patrocinadores”, como empresas que doaram ferro para alicerce e concreto, por exemplo.
Na época, a obra foi avaliada em R$ 1 milhão (R$ 1,8 milhão, em valores corrigidos atualmente). Pinna não divulga o cálculo final, mas diz que o custo foi maior.
Pinna fez fama, entre outros, por um momumento metálico de Aparecida, instalado na cidade do nome da santa no vale do Paraíba, onde fia o Santuário Nacional. Também há um acervo dele com obras bíblicas na praia do Engenho, em Ilhabela, no litoral norte paulista, sua cidade natal.
Autor: Folha








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