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Agro brasileiro e a agricultura espacial da Nasa

Nesta quarta-feira (1º), a missão Artemis II da Nasa inicia um voo histórico rumo à órbita lunar. Com a participação de pesquisadores brasileiros liderados pela Embrapa, a jornada busca validar tecnologias de cultivo de alimentos no espaço, essenciais para futuras bases na Lua e em Marte.

Qual é o papel dos pesquisadores brasileiros na missão Artemis?

O Brasil participa por meio da rede Space Farming Brazil, coordenada pela Embrapa. O objetivo é usar o conhecimento brasileiro em agricultura tropical para resolver um grande problema: como cultivar vegetais em ambientes sem solo fértil, com muita radiação e gravidade reduzida. Isso é vital porque levar comida da Terra para a Lua custa cerca de US$ 1 milhão por quilo, tornando a produção local a única saída viável para bases permanentes.

Como é possível plantar sementes na Lua se não existe solo como o nosso?

Os cientistas testam técnicas como a hidroponia (cultivo na água) e a aeroponia (cultivo no ar, com os nutrientes borrifados nas raízes). O solo da Lua, chamado de regolito, é formado basicamente por pó de rocha rico em alumínio e ferro, mas quase sem nutrientes. Enquanto não aprendemos a adaptar as plantas a esse ‘pó lunar’, as hortas espaciais funcionarão em sistemas fechados que economizam até 80% de água e nutrientes.

Já existem exemplos de plantas brasileiras que foram para o espaço?

Sim. Recentemente, pesquisadores enviaram sementes de grão-de-bico, mudas de batata-doce, morangos e orquídeas para testes em microgravidade na Estação Espacial Internacional e em voos da empresa Blue Origin. Após o retorno à Terra, esses materiais passam por análises genéticas para entender como o estresse do espaço afeta o crescimento e a produtividade dos vegetais.

Os astronautas da missão Artemis II já vão plantar comida na Lua?

Ainda não. A Artemis II é um voo de teste de dez dias com quatro tripulantes para validar sistemas de sobrevivência. Experimentos com hortas na superfície lunar estão planejados para a missão Artemis IV, prevista para 2028. Lá, os astronautas atuarão como ‘fazendeiros lunares’, monitorando plantas como nabo e lentilha-d’água sob uma gravidade que é apenas um sexto da que temos na Terra.

O que mais a missão vai estudar além da agricultura?

A tripulação funcionará como ‘cobaia’ para pesquisas biológicas. Um dos destaques é o estudo AVATAR, que usa chips com células dos próprios astronautas para ver como a radiação do espaço profundo afeta a medula óssea e o sistema imunológico. Também serão avaliados o sono, o desempenho mental e o estresse causado pelo isolamento fora da proteção do campo magnético da Terra.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

VEJA TAMBÉM:

  • Artemis II: o que o agro brasileiro tem a ver com a nova missão da Nasa à Lua

Autor: Gazeta do Povo

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