quinta-feira, abril 2, 2026
18.4 C
Pinhais

Pragmatismo e talento guiam a seleção – 01/04/2026 – Marcelo Bechler

Carlo Ancelotti mostrou o caminho na véspera do jogo contra a Croácia: “As duas últimas Copas o Brasil ganhou por uma fantástica conexão entre o talento e o aspecto defensivo”. Quando entendemos o que o treinador busca, fica mais fácil interpretar o time dentro de campo. E contra a Croácia, e até mesmo contra a França, suas ideias estavam bem alinhadas com o comportamento da equipe.

Sem querer, o italiano nos lembrou a identidade do futebol brasileiro: talento individual. Isso, aliado à organização, trouxe-nos os frutos que colhemos. O Brasil não tem o jeito de jogar dos passes curtos e envolvente dos espanhóis; não tem a intensidade e a eficácia dos alemães; a correria e cruzamentos dos ingleses; ou a defesa da Itália. Esses estereótipos estão mais ou menos ultrapassados, mas formaram a identidade de jogo dos países rivais.

Nós somos os maiores campeões porque aqui se chuta tudo. Latinha amassada, bola de papel, bola de meia, cabeça de boneca. Isso formou jogadores capazes de improvisar, adequar-se a várias situações e surpreender o mundo.

Quando Ancelotti assumiu o Brasil, não havia legado ou caminho para seguir. Havia jogadores como Raphinha, Vinicius, Estêvão, Endrick, Luiz Henrique e outros capazes de ganhar o jogo na frente. E existem defensores como Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Gabriel Magalhães, Militão, capazes de não deixar o time perder o jogo atrás.

Por isso o selecionador disse “o Brasil para ganhar a Copa tem que ter talento, o que temos”. “E tem que defender bem. Não há outra via. Eu estou convencido de que a Copa ganha quem sofre menos gols, não quem marca mais”, afirmou.

Ancelotti não tem tempo para montar um time insinuante, cheio de troca de passes, que vá flutuar em campo. Não recebeu um trabalho organizado precisando de alguém para lapidá-lo. Pegou um monte de bons jogadores, na frente e atrás, sem nenhuma organização. E sua aposta pragmática me parece bastante acertada: defensores que defendem, meio-campistas que protegem a defesa e ligam os atacantes o mais rapidamente possível para que eles vençam os jogos na frente.

A ideia é não estar exposto, roubar a bola e atacar com velocidade.

Contra a França, no primeiro tempo, o Brasil recuperou a bola duas ou três no campo ofensivo, mas finalizou para fora. Ganhou três na defesa, e Casemiro rapidamente ligou Vinicius ou Raphinha em bolas longas. As jogadas não acabaram bem, e os franceses, com mais consciência de time, aproveitaram os erros do Brasil para matar o jogo.

Diante da Croácia, mesma receita: no primeiro tempo, as principais chances vieram de roubadas de bola no ataque, e o gol saiu em um contra-ataque que teve tudo o que se espera de uma transição bem-feita. No segundo tempo, a defesa seguiu bem protegida, à exceção do gol rival, e o time voltou a marcar contra-atacando, para fechar a vitória.

O plano é esse, e eu gosto, levando em conta que não temos meio-campistas bons de combinar jogo e nenhum superarmador. Não temos laterais alegres e insinuantes, então vamos com laterais defensivos para garantir solidez. E na frente sobra talento. Especialmente jogadores que se dão bem com espaço para jogar. Apostar em transições potencializa o jogo deles.

Na Copa do Mundo, o Brasil estará três semanas mais bem treinado. Pode ser o suficiente ou não. Já, já, saberemos. O que eu sei, hoje, é que temos uma boa ideia e boas peças para executá-la.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas