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Caminhada de Nikolas em estrada tem mutirão de selfies – 23/01/2026 – Política

Na caminhada de Nikolas Ferreira (PL-MG), sobram celulares e falta estrutura para garantir a segurança de apoiadores. Nesta sexta-feira (23), o deputado saiu de um povoado em Cristalina, em direção à também cidade goiana de Luziânia em protesto contra a condenação dos acusados de tentativa de golpe de Estado.

O parlamentar partiu na segunda-feira (19) de Paracatu, em Minas Gerais, e seguirá a Brasília, onde pretende chegar no domingo (25), após 240 km caminhados. Participantes da caminhada falavam em 400 apoiadores.

A Folha acompanhou uma parte do trajeto nesta sexta. O clima de festa que inaugurou a manhã, às 8h30, foi se esvaindo entre os que caminhavam enquanto aumentava o número de quilômetros andados. Por volta das 13h, muitos perguntavam onde seria o almoço, e nem mesmo a assessoria do deputado sabia informar.

O grupo só chegou a um posto de parada para comer por volta das 15h. Enquanto alguns apoiadores e parlamentares aliados revezaram entre andar e seguir de carro, os que não tinham essa escolha se sentavam no acostamento da rodovia para descansar e contavam apenas com a distribuição de comida e água em alguns pontos do trajeto, feita por outros apoiadores.

A única separação entre os manifestantes e a BR-040 era uma corda segurada por seguranças e apoiadores e o grito de policiais que tentavam conter a multidão. Empurrões a quem ficava na beira do acostamento eram comuns. Havia idosos e crianças junto ao grupo.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) afirmou que a caminhada oferece “riscos de segurança”. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), lider do PT na Câmara, também publicou vídeo em que afirma que a manifestação “é crime e está colocando a vida de pessoas em risco”.

Nikolas afirmou à Folha que escolheu fazer uma caminhada porque “não queria ficar na porta de nada, permanecer, fazer barraca, acampamento” porque “isso poderia dar uma abertura para quem quisesse atrapalhar o movimento”.

Em 2022, bolsonaristas ficaram por semanas acampados em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo por uma intervenção militar que mantivesse Jair Bolsonaro (PL) no poder. Foi do acampamento que partiram parte dos manifestantes posteriormente condenados pelo 8 de janeiro.

Apesar de ter convidado pessoas para participar do movimento, o deputado admitiu que não planejou como o trajeto de 240 km seria feito e disse nem o PL foi avisado previamente.

“A logística foi feita na hora. A gente saiu de Paracatu e a gente foi colocando no Google Maps para poder ver quantos quilômetros daria até chegar em Brasília.”

O que havia de estrutura oficial foi garantido ao próprio deputado, que fez o percurso acompanhado por policiais legislativos e um carro que o separava dos que buscavam caminhar à sua frente. Outros veículos de forças de segurança também seguiram o público, mas com presença menos constante do que ao redor do deputado.

No trajeto da caminhada pela manhã, Nikolas, 29, também foi auxiliado por uma das assessoras, que ficou ao lado dele com uma garrafa de bebida isotônica e um creme de corpo. Nas paradas, de acordo com um assessor do deputado e vídeos publicados nas redes, o deputado tirava os sapatos, colocava os pés no gelo e passava uma pomada usada para o alívio de dores musculares.

Questionados sobre por que estavam ali, os apoiadores repetiam pedidos por “liberdade”, críticas ao “sistema”, ao PT e à imprensa. “Quero um país livre, um país honesto”, disse Valisnéria Cristina, de São José do Rio Preto (SP), que viajou com marido e amigos para acompanhar o grupo.

Outra manifestante, que pediu para não ser identificada, disse que “o povo tá sendo impedido de expressar a sua liberdade”. Ela caminhava junto a seu filho criança e disse não seguiria por muito tempo.

Ao longo da caminhada, os participavam filmavam e posavam para fotos enquanto andavam. Alguns levaram pelúcias, como a de um boneco de Bolsonaro ou um batom, em referência a manifestante que ficou conhecida como Débora do Batom e foi condenada por participação no 8 de Janeiro.

Os presentes também interpelavam os políticos para tirar fotos. O mais buscado era Nikolas, cujo acesso era controlado pelos seguranças e assessores que ficavam ao seu redor. Assim que um manifestante conseguia uma foto ou vídeo com ele, ele era retirado do círculo protetor e voltava a caminhar mais longe do deputado.

De acordo com o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), o movimento cresceu ao longo dos dias, até chegar a centenas de manifestantes. “Quem tá desde o início sabe como que começou, tinham 20 pessoas, 30 pessoas no máximo.” Ele define o protesto, chamado de Acorda Brasil, como um ato de “resiliência”.

André Fernandes (PL-CE) fez críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal. “Não é normal que os mesmos juízes que condenaram pessoas inocentes do 8 de Janeiro estejam acobertando e defendendo os criminosos do caso Master do INSS”.

Já senador Marcos do Val (Podemos-ES) disse que a caminhada “não é para confrontar ninguém” e sim para “mostrar que o brasileiro tá indignado”. Ela estava vestindo uma camiseta que mostrava o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos sobre golpe de Estado, atrás das grades com as mãos sangrando.

Apesar de afirmar não querer que seu protesto fosse utilizado por “políticos”, a manifestação estava cheia deles. Havia vereadores de cidades do interior que foram eleitos com apoio de Nikolas ou buscavam conquistá-lo, além de deputados, senadores e pré-candidatos às eleições deste ano.

O vereador de Governador Valadares (MG), Igor Erick (Mobiliza), afirmou que foi à caminhada porque a juventude “tem a esperança de um Brasil melhor”.

Entre as faixas com críticas a Lula e Alexandre de Moraes, outra que se repetiu foi em pedido ao voto impresso.

Autor: Folha

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