
O jornal britânico Financial Times publicou nesta quarta-feira (1º) uma reportagem afirmando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou interromper o fornecimento de armas à Ucrânia caso aliados europeus não ajudem Washington a reabrir o Estreito de Ormuz.
Por esta passagem, fechada quase totalmente pelo Irã desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o regime islâmico, transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo antes do conflito.
O Financial Times citou como fontes três autoridades de governos do Ocidente familiarizadas com as discussões.
Segundo a reportagem, Trump exigiu que as marinhas dos outros países da Otan o ajudassem a reabrir Ormuz, mas recebeu uma negativa, com os governos europeus da aliança alegando que tal tarefa seria “impossível” enquanto o conflito estivesse em curso e vários deles alegando que esta “guerra não é nossa”.
De acordo com as fontes, Trump respondeu ameaçando interromper o fornecimento de armas para a Ucrânia por meio de um programa pelo qual os integrantes europeus da Otan estão pagando por armamentos americanos para que Kiev os utilize na guerra contra a Rússia.
Teria sido essa pressão que gerou uma declaração divulgada às pressas em 19 de março, por meio da qual França, Alemanha, Reino Unido e outros países manifestaram “disposição em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo estreito”.
Segundo uma das fontes do Financial Times, quem insistiu na declaração conjunta foi o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
Outro funcionário disse que Rutte, em ligação telefônica com a França, a Alemanha e o Reino Unido, alegou que Trump estava “bastante histérico” com a recusa em ajudar a reabrir Ormuz.
Apesar da declaração, nada foi feito por enquanto. Nesta quinta-feira (2), a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, presidirá uma reunião virtual com 35 países para analisar medidas que permitam reabrir o estreito, mas apenas “quando as circunstâncias permitirem” – ou seja, quando houver um cessar-fogo.
Procurada pelo Financial Times, a vice-secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, não confirmou a ameaça de interromper o envio de armas à Ucrânia, mas disse que “o presidente Trump deixou clara sua decepção com a Otan e outros aliados e, como o presidente enfatizou, ‘os Estados Unidos se lembrarão’”.
Autor: Gazeta do Povo








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