Influenciadores de bem-estar listaram palitos de carne e carne seca, do tipo beef jerky, entre seus lanches favoritos ricos em proteína. Alguns produtos destacam listas curtas de ingredientes, livres de químicos incomuns, enchimentos e aditivos. Então, carne seca é realmente boa para você? Pedimos a especialistas para nos ajudar a esclarecer isso.
Frank B. Hu, professor de nutrição e epidemiologia na Escola de Saúde Pública T.H. Chan de Harvard, diz que não tem conhecimento de nenhum estudo que investigasse os benefícios da carne seca para a saúde.
Mas os rótulos nutricionais oferecem pistas, diz Nicole Lund, nutricionista do NYU Langone Health em Nova York.
Um ponto relacionado à saúde de muitos produtos de carne seca é que eles oferecem uma quantidade razoável de proteína por relativamente poucas calorias, diz Lund. Isso pode ser útil para pessoas que têm dificuldade em obter proteína suficiente, como idosos, ou aqueles que tentam construir ou manter massa muscular, afirma.
Carnes secas geralmente fornecem algum ferro, acrescenta Lund —um nutriente que muitas mulheres com menos de 50 anos e idosos poderiam consumir mais. E comparadas com outros alimentos embalados, muitas têm listas de ingredientes relativamente curtas, que geralmente incluem uma fonte de proteína, sal, açúcar e temperos.
Isso poderia ser “uma mudança agradável” em relação a lanches e shakes feitos com longas listas de estabilizantes, agentes texturizantes e outros ingredientes irreconhecíveis, diz Lund. Quanto menos ingredientes em alimentos embalados, ela observa, melhor.
Ainda assim, mesmo a carne seca que parece mais saudável é um alimento processado, incluindo as versões à base de peixe e vegetarianas. E se for feita de carne, é considerada uma carne processada, que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou como carcinogênica para humanos.
Comer apenas 50 g de carne processada por dia aumenta o risco de câncer colorretal em 18%, de acordo com a OMS —uma porção de carne seca é tipicamente 28 g. E comer carne processada também pode aumentar o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e demência.
Stephen Devries, professor adjunto associado de nutrição na Escola de Saúde Pública T.H. Chan de Harvard, observa que produtos de carne seca tendem a ser ricos em sódio.
Também preocupantes são os nitratos e nitritos, diz, que são adicionados a carnes secas para prevenir o crescimento bacteriano e realçar seu sabor e cor. Eles podem formar compostos chamados nitrosaminas no corpo, que podem aumentar o risco de câncer. Mesmo produtos anunciados como “naturais” ou sem nitratos adicionados podem contê-los —na forma de pó de aipo ou extrato de aipo.
Como em todos os produtos de carne, as gorduras saturadas podem ser problemáticas; em excesso, podem elevar o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares. Opções à base de peixe podem ter menos gorduras saturadas, diz Hu.
Carnes secas à base de plantas também são opções com menos gordura. E muitas carnes secas — especialmente aquelas com sabores doces, teriyaki e barbecue— contêm açúcares adicionados.
Embora seja aceitável comer carne seca ocasionalmente, diz Hu, “não é uma boa ideia” comê-la regularmente.
Existem muitos outros alimentos ricos em proteína que não vêm com os mesmos riscos à saúde, como iogurte grego, diz Devries. Grão-de-bico torrado, castanhas e edamame torrado também são ricos em proteína e portáteis, dizem outros especialistas, e ainda têm fibras benéficas para o intestino, que muitos produtos de carne seca não têm.
Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.
Autor: Folha








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