sexta-feira, abril 3, 2026
25.1 C
Pinhais

OMS atualiza diretrizes de tratamento de vício em opioides – 03/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

A OMS (Organização Mundial da Saúde) anunciou nesta sexta (3) uma atualização nas diretrizes globais para o tratamento da dependência de opioides e o manejo comunitário de overdoses, o que reflete a escalada do problema no mundo e a persistente lacuna de acesso a cuidados.

Dados mais recentes da entidade mostram que cerca de 316 milhões de pessoas usaram drogas em 2023, das quais cerca de 61 milhões fizeram uso não médico de opioides —como no caso de morfina, oxicodona, codeína e fentanil.

Essas substâncias seguem como as principais responsáveis pela carga de doença associada ao consumo de drogas: das cerca de 600 mil mortes anuais atribuídas ao uso de substâncias, 450 mil estão ligadas aos opioides.

O acesso ao tratamento permanece limitado, segundo a OMS. Estima-se que 64 milhões de pessoas vivam com transtornos por uso de drogas, mas menos de 10% recebem algum tipo de cuidado.

O assunto foi discutido durante a Cúpula da Parceria das Cidades Saudáveis, que aconteceu nesta semana no Rio de Janeiro e que reuniu cidades pelo mundo que desenvolvem políticas públicas voltadas ao enfrentamento de doenças crônicas não transmissíveis e de lesões passíveis de prevenção.

Para a OMS, ampliar o acesso a intervenções eficazes, seguras e baseadas em evidências é central para reduzir mortes e complicações.

As novas recomendações reforçam a necessidade de que países ofereçam tratamentos acessíveis, éticos e de qualidade, além de estratégias de redução de danos e resposta rápida a overdoses em nível comunitário.

A principal mensagem das diretrizes é a reafirmação do tratamento de manutenção com agonistas opioides (OAMT, na sigla em inglês), considerado o padrão-ouro no manejo da dependência.

Esse modelo envolve o uso controlado de medicamentos como a metadona e a buprenorfina, administrados por profissionais habilitados para reduzir sintomas de abstinência, prevenir recaídas e diminuir o risco de overdose.

A novidade é a inclusão, ainda que com recomendação condicional, de formulações injetáveis de longa duração de buprenorfina.

Esses medicamentos, aplicados semanal ou mensalmente, podem facilitar a adesão ao tratamento — especialmente entre pacientes com dificuldade de manter o uso diário de comprimidos.

As diretrizes foram elaboradas a partir de um processo rigoroso que considerou não apenas a eficácia clínica, mas também aspectos como custo-efetividade, equidade, aceitabilidade e viabilidade de implementação.

Revisões sistemáticas de estudos quantitativos e qualitativos embasaram as decisões de um grupo internacional de especialistas.

Para a OMS, o desafio não é apenas técnico, mas político e social: garantir que intervenções comprovadamente eficazes cheguem a populações vulneráveis, muitas vezes excluídas dos sistemas de saúde.

O documento completo, com recomendações detalhadas, perfis de evidência e orientações para implementação, está em fase final de revisão por pares e deve ser publicado ainda este ano ou no início de 2027.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas