O Banco Central determinou em 2024 duas auditorias sobre R$ 13 bilhões em precatórios que estavam com o Banco Master. Apesar de a KPMG ter aprovado os números, órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-geral da União (CGU) apontam ativos supervalorizados ou inexistentes. As informações são da Folha de S. Paulo.As informações são da Folha de S. Paulo.
A falta de transparência nas auditorias deixa os investidores descobertos. O risco imediato envolve perdas acima do limite de R$ 250 mil por CPF garantido pelo FGC, além da elevação dos custos de crédito para todo o sistema financeiro.
O Banco Master captava recursos de investidores em plataformas de varejo — sob o guarda-chuva da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — e alocava esse capital em ativos de baixa liquidez: precatórios (dívidas judiciais) e empréstimos de longo prazo.
Esse descompasso estrutural entre a captação de curto prazo e o ativo sem liquidez; acendeu alertas no mercado financeiro sobre a supervalorização ou até a inexistência desses papéis no balanço da instituição. O balanço encerrado em 31 de dezembro de 2024 reportava R$ 8,7 bilhões em precatórios, montante validado pela KPMG como “aceitável” após inspeção documental e análise de processos judiciais.
A supervisão do Banco Central
A atuação regulatória do BC ocorreu de forma escalonada:
- Outubro de 2023: Limitou o crescimento da carteira de precatórios via resolução.
- Março de 2024: Exigiu auditoria externa rigorosa sobre a origem e o valor dos ativos.
- Setembro de 2024: Apontou direitos creditórios sem o devido registro público.
- Novembro de 2024: Questionou o uso de artifícios contábeis para mascarar a iliquidez.
- 2025: A KPMG deixou de atuar como auditora externa da instituição.
- Março e Abril de 2026: O TCU divulgou um relatório crítico e a CGU abriu processo contra ex-dirigentes do BC por suspeita de favorecimento.
O impasse: auditores vs. órgãos de controle
A KPMG considerou a valoração dos ativos “aceitável” e os riscos jurídicos “favoráveis”, porém, limitou seu escopo de análise à expectativa de recebimento judicial. A empresa informou que, a partir de 2025, deixou de auditar o Banco Master. “Por motivos de cláusulas de sigilo e regras da profissão, está impedida de se manifestar sobre casos envolvendo ex-clientes”, declarou em nota.
O escritório Galdino Advogados também não reportou irregularidades. Segundo a banca, o escopo do trabalho restringiu-se aos riscos jurídicos dos créditos, andamentos processuais e tempo estimado de recebimento via precatórios. “Não somos chamados a avaliar quaisquer outros aspectos econômicos ou financeiros relativos aos créditos”, ressaltou. O escritório não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre os valores recebidos pelos serviços.
Em contrapartida, o TCU e a CGU apontaram ativos supervalorizados ou inexistentes. Os órgãos alertam para a falta de registro público, o que gera um “risco jurídico severo”, além do uso de engenharias financeiras para ocultar a falta de liquidez. O relatório AudBancos do TCU crava: “O Master postergava o reconhecimento da iliquidez por engenharias financeiras de repasse”.
Autor: Gazeta do Povo



















