sexta-feira, abril 3, 2026
22 C
Pinhais

Fugindo do óbvio, “Saideira” fala de uma Páscoa quase pop

Num tempo em que tudo vira disputa política, até o silêncio parece tomar partido. Talvez por isso o novo episódio do “Saideira”, da Gazeta do Povo, cause um estranhamento quase terapêutico: ele não quer discutir política. Não diretamente. Em plena Sexta-Feira Santa, o programa propõe algo raro: uma conversa sobre aquilo que ainda nos une.

A ideia pode soar simples, mas não é. Num ambiente saturado por análises, escândalos e polarizações, parar para falar de filmes, livros e músicas exige uma espécie de coragem silenciosa. É como desligar uma máquina barulhenta para ouvir um relógio antigo funcionando. E, de repente, perceber que o tempo continua ali.

Matrix e redenção

Com o trio formado por Francisco Escorsim, Omar Godoy e Paulo Polzonoff Jr., o episódio percorre uma lista curiosa de obras que dialogam com a Páscoa sem recorrer aos caminhos mais óbvios. Nada de listas previsíveis ou recomendações catequéticas. Aqui, “Matrix” encontra “O Rei Leão”, Dostoiévski conversa com Milton e Johnny Cash divide espaço com Cartola.

O efeito dessa mistura é curioso. Aos poucos, o espectador percebe que há um fio invisível ligando tudo. Histórias de queda e redenção. De morte e recomeço. De sentido perdido e reencontrado. A Páscoa aparece não como tema explícito, mas como estrutura escondida. É quase um código-fonte da cultura.

“Olhe melhor”

E talvez seja justamente isso o que torna o episódio relevante. Ele não tenta ensinar nem impõe conclusões. O “Saideira” apenas sugere. Como quem aponta para algo e diz: “Olhe melhor”. Num mundo que grita o tempo todo, esse gesto já é, por si só, um pequeno ato de resistência.

Ao mesmo tempo, o programa reforça uma das marcas da Gazeta do Povo: a aposta em um jornalismo que não se limita ao factual. Ao oferecer conteúdo que atravessa cultura, filosofia e experiência humana, o “Saideira” amplia o horizonte do leitor/espectador e o convida a sair da lógica imediatista que domina o debate público.

Companheirismo

Há também um certo espírito de companheirismo no episódio. Não se trata de uma aula nem tampouco de um manifesto. O “Saideira” é uma conversa. Daquelas que poderiam acontecer entre amigos, sem pressa, sem necessidade de vencer o outro. Apenas com o desejo de entender melhor o mundo e, quem sabe, a si mesmo.

Autor: Gazeta do Povo

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas