O boletim do Deral (Seab) aponta um cenário de contrastes no agro paranaense: enquanto o leite longa vida subiu 17% e a cebola teve alta de 44% para o produtor, a suinocultura bate recordes de eficiência
O setor agropecuário do Paraná atravessa um momento de ajustes, com variações de preços, avanços produtivos e desafios climáticos impactando diferentes cadeias. É o que aponta o Boletim Conjuntural divulgado na quarta-feira (1º) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
O levantamento indica que o principal destaque recente foi o setor leiteiro, que apresentou aumento nos preços ao consumidor. No varejo, o leite longa vida registrou alta de 17%, enquanto o leite em pó subiu 8,8%, com média de comercialização em R$ 4,52. Apesar disso, o repasse ao produtor ainda ocorre de forma gradual.
De acordo com o médico veterinário e analista do Deral, Thiago De Marchi, existe uma defasagem natural entre os valores praticados no varejo e os pagos ao produtor. Segundo ele, os prazos adotados pelas indústrias fazem com que o impacto da valorização não seja imediato. Ainda assim, a tendência é de melhora na remuneração por litro de leite entregue.
No segmento de proteínas animais, o boletim aponta manutenção do desempenho positivo, especialmente na suinocultura. Nos últimos dez anos, a produção de carne suína no Paraná cresceu 57,7%, passando de 777,74 mil toneladas em 2016 para 1,23 milhão de toneladas em 2025. O crescimento acima da expansão do rebanho indica ganho de eficiência, com abates de animais mais pesados. Em nível nacional, a produção avançou 52,4% no mesmo período.
O mercado externo também segue aquecido, com destaque para a avicultura. O Paraná lidera as receitas com exportações de carne de frango. No primeiro bimestre de 2026, o Brasil faturou US$ 1,788 bilhão com o produto, um aumento de 7,7%. O Estado responde por 42,9% do volume total exportado. Já o segmento de carne de peru registrou crescimento expressivo, com alta de 107,6% na receita cambial, impulsionada pela valorização do preço médio da carne in natura, que subiu 97,8% em relação ao ano anterior.
A cultura da cebola aparece como exemplo do impacto da tecnologia no campo. Mesmo com redução de 12,8% na área plantada em comparação a 2015, o Brasil ampliou em 16,1% o volume colhido em 2024, o que representa aumento de 33,1% na produtividade. Esse avanço refletiu diretamente nos preços.
No Paraná, em 2026, o valor pago ao produtor passou de R$ 0,82 por quilo em fevereiro para R$ 1,18 em março, uma alta de 44,9%. No varejo, o consumidor também percebeu a elevação em curto prazo. Em menos de 30 dias, o preço da cebola pera nacional subiu 42,9%, saindo de R$ 1,75 para R$ 2,50 por quilo.
No caso do milho, o plantio da segunda safra 2025/26 está praticamente concluído, alcançando 99% dos 2,86 milhões de hectares previstos. Embora 91% das lavouras apresentem boas condições, o Deral alerta para impactos climáticos registrados em março, com chuvas irregulares e ondas de calor. Cerca de 8% das áreas estão em condição considerada média e 1% em situação ruim, o que pode comprometer o desempenho final da safra.
Já a mandiocultura segue em processo de adaptação diante de custos elevados, especialmente com arrendamentos. Ainda assim, a expectativa é de crescimento de 6% na área colhida em 2026, com produção que pode ultrapassar 4 milhões de toneladas. O boletim aponta que o setor enfrenta um momento estratégico, marcado por preços 21% menores no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025. Diante disso, produtores têm optado por manter as lavouras para um segundo ciclo, buscando ganhos de produtividade e compensação das margens mais apertadas.
Autor: Agencia Paraná



















