Com a guerra no Irã, a dúvida: a partir de quando Bolsa e dólar vão reagir às pesquisas da corrida presidencial?
Por Fábio Alves
Com a atenção dos investidores praticamente voltada para a guerra no Irã e seu impacto econômico, as mais recentes pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial não tiveram tanta repercussão nos preços dos ativos como se esperaria num cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) ultrapassasse o presidente Lula (PT) numa simulação de segundo turno, como apontou o último levantamento da AtlasIntel.
A partir de quando, então, a Bolsa de Valores e o dólar vão reagir com mais força às pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial?
“Os fatores globais vão dominar o câmbio até o fim de julho, quando o foco [dos investidores] mudará para as eleições” diz Andrea Kiguel, estrategista de câmbio e de juros do banco Barclays, em nota a clientes. “Projetamos uma underperformance [desempenho abaixo da média] para o real brasileiro à medida que as eleições presidenciais se aproximem, uma vez que investidores locais e empresas tendem a comprar dólar quando a disputa da eleição está apertada e o desfecho econômico [da eleição] é binário.”
A estrategista do Barclays projeta o dólar a R$ 5,50 no fim do terceiro trimestre deste ano, cedendo para R$ 5,30 no fim do ano.
Já outros analistas consideram que, se o conflito no Oriente Médio caminhar para uma solução, com o cessar-fogo até maio, já em junho a influência das pesquisas de intenção de voto sobre os preços dos ativos brasileiros terá praticamente um peso maior do que fatores geopolíticos ou econômicos domésticos. E que o desempenho dos candidatos nas pesquisas poderá mudar significativamente, afetando o humor dos investidores.
Nas últimas pesquisas, por exemplo, a intenção de voto a favor do presidente Lula foi muito influenciada pela queda na taxa de aprovação de seu governo. A partir de junho, esse cenário poderá ser outro. Aliás, é tradicionalmente a partir de junho que, segundo Cristiano Noronha, sócio e vice-presidente da consultoria de análise política Arko Advice, há uma histórica recuperação dos índices de aprovação do governo em anos eleitorais.
“É natural que a aprovação de governo apresente uma melhora em anos eleitorais, até em razão de medidas populistas e também do aumento da propaganda de ações do governo, normalmente a partir de junho, mas é preciso ver se o noticiário negativo recente do banco Master, por exemplo, e o que está por vir da delação de Daniel Vorcaro -até supostamente envolvendo o filho de Lula – podem acabar inibindo ou restringindo essa recuperação de ano eleitoral de todo o incumbente no que diz respeito à popularidade”, diz Noronha.
Já a analista Elizabeth Johnson, do banco TS Lombard, prevê muita volatilidade nas próximas pesquisas eleitorais, após a definição das candidaturas de vários partidos, como a de Ronaldo Caiado, pelo PSD.
É bom lembrar que o prazo de descompatibilização de cargos públicos para concorrer à eleição presidencial acabou no sábado, dia 4.
Mas, para além da definição dos candidatos ao pleito, a analista do TS Lombard também vê potencial para maior volatilidade com o desenrolar do escândalo do banco Master, com as denúncias podendo atingir muitos candidatos. “O escândalo do banco Master ameaça implicar políticos de todo o espectro político, o que pode virar a corrida presidencial de cabeça para baixo”, diz Johnson.
Ou seja, assim que a guerra no Irã deixar de ser o principal foco do mercado, as pesquisas de intenção de voto deverão dominar as atenções.








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