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Alta do IPI sobre cigarros pode impulsionar contrabando, diz indústria

Após o governo federal elevar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre cigarros, a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) afirmou nesta terça-feira (7) que a medida representa um “alerta crítico” para a economia e a segurança pública.

A decisão, confirmada pelo Ministério da Fazenda, pretende aumentar a alíquota do IPI de 2,25% para 3,5%. Com o novo ajuste, a expectativa é que o preço mínimo da carteira passe de R$ 6,50 para R$ 7,50.

O objetivo da equipe econômica é utilizar a arrecadação — estimada em R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses — para compensar a renúncia de receitas com a isenção do PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel.

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A Abifumo argumenta que a sobrecarga fiscal sobre o produto legal penaliza o consumidor e favorece a migração para o mercado clandestino, que não possui controle regulatório.

A associação destacou que, atualmente, o mercado ilegal responde por 31% das vendas no país, segundo dados do Ipec de 2025.

Para a Abifumo, elevar impostos sem considerar a facilidade de acesso a produtos irregulares e a situação das fronteiras é “dar espaço para o crescimento da violência”.

Além do fator econômico, a resposta da indústria destaca o vínculo entre o contrabando de cigarros e outras atividades ilícitas.

Citando um estudo da FGV divulgado em 2025, a Abifumo aponta que cada ponto percentual de avanço do mercado ilegal de cigarros está correlacionado à ocorrência de 5 mil outros crimes no Brasil.

“Ignorar o cenário de fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular é dar espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas que financiam o mercado ilegal no país”, disse a associação.

Veja a íntegra da nota da Abifumo

“A Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) vem a público destacar que o recente ajuste no IPI de cigarros anunciado pelo Ministério da Fazenda acende um alerta crítico para a economia e a segurança pública no Brasil. A sobrecarga fiscal sobre o produto legal resulta em estímulo direto ao mercado ilegal.

Dados do estudo ‘Elasticidades do mercado de cigarros brasileiro’ comprovam essa correlação: após o aumento desproporcional de tributos em 2012, a participação do cigarro ilegal saltou de 34% (2013) para um pico histórico de 57% em 2019.

Naquele ano, a evasão fiscal superou a própria arrecadação do setor, evidenciando que o consumidor, pressionado pelo preço, migra para o mercado clandestino, amplamente disponível e sem controle regulatório. Estudo da FGV divulgado em 2025 aponta também que cada ponto percentual de avanço no mercado ilegal de cigarros corresponde a ocorrência de 5 mil outros crimes no Brasil.

Para a Abifumo qualquer análise sobre o setor exige um olhar atento à problemática do mercado ilegal, que atualmente corresponde a 31% (Ipec 2025). Ignorar o cenário de fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular é dar espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas que financiam o mercado ilegal no país.”

Autor: Gazeta do Povo

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