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Impactos econômicos da inteligência artificial – 24/01/2026 – Samuel Pessôa

Daron Acemoglu, Prêmio Nobel de Economia de 2024, publicou há um ano trabalho na revista Economic Policy com a sua avaliação dos impactos da inteligência artificial (IA) sobre o crescimento da produtividade do trabalho nos próximos dez anos e para a economia americana.

Acemoglu, como vários coautores, tem diversos trabalhos que investigam o impacto, sobre a produtividade e sobre a desigualdade da renda, da automatização no chão de fábrica, inclusive com os robôs, e com a automatização nos escritórios, com os computadores pessoais.

Nessa literatura considera-se que a produção de bens e serviços requer a execução de diversas tarefas realizadas ou pelo trabalhador ou por uma máquina.

Há bases de dados abrangentes para os EUA que apresentam as diversas ocupações existentes no mercado de trabalho. Para cada ocupação —há pouco mais de mil ocupações—, a base de dados descreve as tarefas executadas. Há um total de pouco mais de 18,5 mil tarefas.

O estudo de Acemoglu avalia a proporção de tarefas que podem ser afetadas pela IA nos próximos dez anos. Para cada uma dessas, é avaliado se o emprego da tecnologia será ou não rentável. Em seguida, qual será o ganho de eficiência médio de cada tarefa afetada pela IA.

Assim, é possível sabermos o quanto das horas trabalhadas totais será afetado pela IA e qual o ganho de produtividade. Acemoglu obteve números bem modestos. O impacto da IA será o de elevar a taxa de crescimento da produtividade do trabalho para os próximos dez anos em 0,11 ponto percentual anual. Já foi considerado nesse cálculo que a nova tecnologia estimulará a acumulação de capital.

Philippe Aghion, Prêmio Nobel de Economia do ano passado, em parceria com Simon Bund, em trabalho ainda não publicado, refez as contas de Acemoglu. Se Acemoglu considera que somente 4,2% das tarefas serão afetadas pela IA, já levando em consideração a economicidade do emprego da IA, Aghion e Bund consideram que 30% das tarefas serão afetadas, um número pouco mais de sete vezes maior. Assim, os ganhos que Aghion e Bund medem são bem maiores.

Como Aghion e Bund avaliam também que o ganho de eficiência em cada tarefa afetada pela IA será 50% maior do que o número que Acemoglu considera, o ganho total será dez vezes maior (7 x 1,5 = 10,5). Ou seja, Aghion e Bund avaliam que a IA irá elevar a taxa de crescimento da produtividade do trabalho nos próximos dez anos em 1,1 ponto percentual anual.

Esse efeito não é muito maior do que 0,8 ponto de elevação da taxa de crescimento da produtividade do trabalho que ocorreu nos dez anos entre 1995 e 2004, em razão da tecnologia de informação e da computação em geral.

Tudo sugere que a IA poderá ter um impacto importante sobre o crescimento da produtividade do trabalho, mas não será algo extraordinário levando em conta as experiências passadas dos impactos de novos pacotes tecnológicos sobre a produtividade.

Com relação ao impacto sobre a desigualdade, a avaliação de Acemoglu é que não haverá com a IA os efeitos ruins observados, por exemplo, entre 1980 e 2020, com a robotização e a automatização generalizada das linhas de montagem. Aparentemente, a IA melhora a eficiência tanto do trabalhador menos qualificado quanto a do mais qualificado.

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Autor: Folha

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