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Terapia somática adiciona movimento à sessão de terapia – 08/04/2026 – Equilíbrio

Em um vídeo publicado no YouTube em janeiro, Bianca Stephenson, 34, sorri enquanto levanta os braços, sacode os pulsos e balança os quadris.

“Parece muito, muito idiota”, diz Stephenson. “Mas funciona.”

Ela pratica o que é chamado de “tremor somático” —uma forma de gerenciar o estresse e liberar “energia estagnada”, segundo ela.

Depois de cinco a dez minutos tremendo, ela costuma sentar em silêncio e permitir que sentimentos mais profundos venham à tona; às vezes chora. Para Stephenson, que passou anos em terapia para tratar traumas da infância, os movimentos somáticos ofereceram uma válvula emocional que a psicoterapia tradicional sozinha não proporcionou.

A prática é “como uma meditação em movimento”, diz Stephenson, que mora em Londres e é coproprietária de uma cafeteria.

O tremor somático se encaixa no guarda-chuva da terapia somática, um conjunto de técnicas orientadas ao corpo que explodiu em popularidade nas redes sociais nos últimos anos. O tremor é uma das variedades, mas os movimentos somáticos também podem incluir exercícios de enraizamento —que ajudam o corpo a se sentir conectado à terra—, mudanças posturais, trabalho com a respiração ou atividades como empurrar uma parede.

Apesar da popularidade online, uma definição precisa de terapia somática e do que ela realiza é difícil de estabelecer.

O que é terapia somática?

Há muitas variedades de terapia somática: o termo já foi usado para descrever técnicas tão diversas quanto ioga, dança e acupuntura. A modalidade mais conhecida é a “experiência somática”, desenvolvida pelo psicólogo Peter A. Levine nos anos 1970.

Levine acreditava que a terapia da fala sozinha não era suficiente para curar traumas. O que também era necessário, dizia ele, era a liberação lenta da “energia de luta ou fuga” que havia ficado presa no sistema nervoso do corpo após a experiência de um trauma.

Em geral, os terapeutas somáticos buscam ajudar os pacientes a desenvolver uma consciência do próprio corpo e identificar como ele responde ao trauma, ao estresse e às relações sociais. Com o tempo, os pacientes são encorajados a abandonar comportamentos aprendidos —como uma postura encurvada ou respiração superficial—, com o objetivo de melhorar o estado mental e ajudá-los a viver mais plenamente no presente.

“Não há dúvida de que há muito potencial em algo assim”, diz Vaile Wright, diretora sênior de inovação em saúde da Associação Americana de Psicologia. “A terapia da fala não funciona para todo mundo.”

De fato, algumas técnicas somáticas —como o relaxamento muscular progressivo ou a respiração mindfulness— já estão incorporadas em diversas modalidades de tratamento baseadas em evidências, afirma Wright. Mas essas técnicas, quando agrupadas e usadas fora de uma abordagem terapêutica já estabelecida, ainda não foram bem estudadas, acrescenta.

Alguns estudos, incluindo um pequeno ensaio clínico randomizado publicado em 2017, sugeriram que a experiência somática pode ser um tratamento eficaz para o transtorno de estresse pós-traumático. Mas a associação observou, ainda no ano passado, que ainda há evidências insuficientes para recomendá-la como tratamento para o TEPT.

Como funciona a terapia somática?

Não existe um protocolo único para algo tão abrangente quanto a terapia somática. Mas veja como ela pode se desenvolver na prática: imagine que alguém chega à sessão de terapia ansioso para falar sobre uma grande briga que teve com o parceiro. Normalmente, um terapeuta somático vai “pausar e desacelerar as coisas”, diz Scott Lyons, psicólogo em Nova York e fundador do Embody Lab, que oferece treinamento em terapia somática.

“Dizemos algo simples como: ‘onde você sente isso no corpo?’ Ou: ‘como isso se manifesta em você agora?'”

Essas sensações corporais não são aleatórias, afirma ele —são como o subconsciente comunica sentimentos, necessidades ou crenças mais profundas que estão “não expressas ou não processadas”.

Com o tempo, o terapeuta pode convidar o paciente a liberar emoções intensas por meio do movimento, encorajá-lo a sacudir suavemente o corpo ou experimentar gestos mais amplos ou uma voz mais alta.

Os pacientes também podem ser solicitados a simular uma ação que gostariam de ter realizado no passado —como correr no lugar para representar uma fuga, ou estender a mão e dizer “pare!”.

Nada disso deve parecer forçado, diz Lyons. O ritmo é ditado pelo que cada cliente se sente seguro para fazer.

O que mais os pacientes precisam saber?

Um dos maiores equívocos sobre a terapia somática é que ela é “apenas um conjunto de exercícios”, diz Arielle Schwartz, psicóloga clínica em Boulder (Colorado) que incorpora métodos somáticos à sua prática há décadas.

Embora os movimentos somáticos possam ser benéficos, eles funcionam melhor quando combinados com um terapeuta, acrescenta. O profissional pode ajudar o paciente a trabalhar algumas das emoções difíceis que podem surgir e também apoiá-lo no aprendizado de como mover o corpo de forma diferente.

Pode ser interessante buscar um profissional com formação em um método específico —como experiência somática ou psicoterapia sensório-motora—, dizem os especialistas.

Não existe uma abordagem universal para lidar com traumas, e a terapia somática não é para todos, diz Schwartz. Mas, acrescenta ela, alguns pacientes finalmente sentem alívio quando “o corpo finalmente pode contar a história”.

Autor: Folha

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