O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou R$ 26 bilhões para investidores e correntistas prejudicados pela liquidação do Banco Master, valor que representa 66,43% do total de garantias previstas até o momento. Segundo dados da autarquia divulgados nesta sexta (23), mais de 521 mil credores já receberam os pagamentos, o equivalente a 67,29% do público com direito à cobertura.
Os pagamentos começaram no dia 19 de janeiro e ganharam velocidade após ajustes técnicos nos sistemas do fundo, que elevaram o desempenho operacional. Atualmente, o aplicativo do FGC processa cerca de 2,8 mil pedidos por hora, enquanto equipes técnicas acompanham o funcionamento das plataformas em tempo real para acelerar as liberações.
“Por conta dos procedimentos de segurança e de prevenção a fraudes, a liberação de pagamentos pode passar por camadas adicionais de verificação, o que pode impactar os prazos individuais de conclusão do processo”, afirmou a entidade em nota.
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Além do caso Master, o FGC também terá de cobrir as aplicações do Will Bank, braço digital do Master e liquidado na semana passada pelo Banco Central, num montante estimado em R$ 6,3 bilhões em garantias. O início dos repasses depende da consolidação da base de credores pelo liquidante, processo que conta com apoio técnico do próprio fundo.
Somadas as liquidações do Master e do Will Bank, o desembolso total do Fundo Garantidor de Créditos deve alcançar pelo menos R$ 47 bilhões, quase um terço do patrimônio acumulado do fundo. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, em depósitos e créditos cobertos, protegendo correntistas e investidores em casos de quebra de bancos autorizados a operar no Brasil.
O FGC é mantido pelas próprias instituições financeiras e funciona como uma rede de segurança para o sistema bancário. Ou seja, são os próprios bancos que abastecem o fundo.
FGC muda regras
Paralelamente às liquidações, mudanças recentes no estatuto do FGC, aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) nesta semana, ampliaram o alcance de atuação do fundo antes mesmo da decretação de liquidação pelo Banco Central. Em nota, o FGC destacou que essas alterações não têm relação com os casos recentes já em andamento.
Com as novas regras, o fundo pode agir em situações de “dificuldade financeira relevante” reconhecidas pelo Banco Central, inclusive com operações de mudança de controle ou transferência de ativos e passivos para outras instituições. Segundo o próprio FGC, o objetivo é evitar a interrupção de serviços, reduzir custos de quebras e preservar a estabilidade do sistema financeiro.
“A ideia é reduzir a possibilidade de contaminação do sistema financeiro, diminuindo riscos sistêmicos”, afirmou o FGC em comunicado oficial. O fundo acrescentou que as mudanças seguem padrões internacionais e fazem parte de um processo de modernização das regras de proteção aos depositantes.
Autor: Gazeta do Povo












