O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) culpou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo início das supostas fraudes financeiras cometidas pelo Banco Master, que envolvem o Banco de Brasília (BRB) e altos escalões dos Três Poderes da República. Desde que o caso veio à tona, no final do ano passado, as investigações da Polícia Federal descobriram o envolvimento de parlamentares tanto da direita como da esquerda, pessoas próximas ao petista e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Lula questionou o motivo pelo qual as apurações da imprensa não costumam citar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por envolvimento no caso, já que foi durante a sua gestão na autarquia que o Banco Master cresceu às custas supostamente de fraudes financeiras.
“O Roberto Campos legalizou o Banco Master e todas as falcatruas que vêm na árvore genealógica do banco têm o governo Bolsonaro, o [Paulo] Guedes (ex-ministro da Economia) e os ministros deles. É só você mostrar que vai perceber que há uma tentativa de esconder o verdadeiro, a serpente que pôs o ovo, o Roberto Campos”, disparou Lula em entrevista ao site ICL Notícias nesta quarta-feira (8).
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Lula se tornou um forte crítico de Campos Neto desde o início deste terceiro mandato, nos dois primeiros anos, acusando-o de manter a taxa básica de juros em altos patamares por motivação política. Posteriormente, o sucessor já escolhido por ele, Gabriel Galípolo, manteve a Selic alta para conter a escalada da inflação, mas com um tom mais ameno de críticas.
“A boca pequena você sabe qual é o deputado, o senador, a autoridade judiciária envolvidos nisso. Mas, parece que a coisa não anda”, afirmou citando que seu próprio processo, relativo à Operação Lava Jato, teve um caminho diferente e “andou como se fosse um avião caça, porque era preciso colocar o Lula na cadeia para não disputar as eleições”.
O petista passou 580 dias preso até o STF declarar a incompetência do então juiz federal Sergio Moro (PL-PR), hoje senador, para julgar o caso.
Conselho a Moraes
Em outro momento, Lula afirma ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido de votar em julgamentos envolvendo o Banco Master por conta da contratação do escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci, por R$ 129 milhões pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
“O companheiro Alexandre de Moraes sabe que prejudica a imagem. Você pode ter uma coisa que é legal, mas, nas circunstâncias que acontecem, o povo trata como uma coisa imoral. E num ano politico, em que as pessoas vão dar muito destaque para isso”, afirmou.
Ele emendou dizendo que Moraes “construiu uma biografia histórica com o julgamento do 8 de Janeiro. ‘não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora sua biografia'”.
“Eu disse: ‘diga que sua mulher está advogando, eu só prometo que aqui na Suprema Corte ficarei impedido de votar, qualquer coisa, alguma coisa que passe para a sociedade uma firmeza’ que ele tem”, completou Lula.
Polícia Federal autônoma
Ainda na entrevista, Lula disparou que a Polícia Federal sob seu governo tem a total autonomia e liberdade para realizar as operações necessárias e que já foram deflagradas quase o dobro do que durante a gestão Bolsonaro – 10,2 mil contra 6,5 mil durante todo o mandato do ex-presidente.
“Porque agora é palavra de ordem, a Polícia Federal tem independência, e a gente não se mete na apuração. Quem tem que investigar é o que eu digo para os delegados: não mintam, não façam pirotecnia, porque quando vocês acusam alguém sem prova, vocês acabam com a vida da pessoa”, afirmou.
Lula ainda defendeu que todos os envolvidos prestem depoimento, que a eventual delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro seja embasada em provas e que as pessoas que participaram da fraude sejam punidas independente de quem for. “Punição tem que ser exemplar”, completou.
Autor: Gazeta do Povo








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