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Nova fórmula de hidrogel combate superbactérias – 09/04/2026 – Equilíbrio e Saúde

Nos últimos anos, o uso extensivo de antibióticos para controlar doenças resultou nas superbactérias: microrganismos resistentes a medicamentos que tornam infecções comuns mais difíceis de tratar e assombram profissionais da área da saúde ou pacientes que precisam passar por intervenções cirúrgicas.

A ciência segue em busca de uma resposta ao problema das superbactérias. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), campus Toledo, tem trabalhando nesse enfrentamento, com o desenvolvimento de um hidrogel com alto poder antimicrobiano.

Como o produto ainda não passou por uma regulamentação, não é possível aplicá-lo em pessoas, mas a pesquisa em laboratório mostrou grande potencial para ser usado como substituto do álcool em gel e como agente de limpeza para esterilização de ambientes hospitalares. Os próximos passos incluem escalonar o material e buscar empresas parceiras para dar seguimento às pesquisas.

Uma das vantagens do gel está no fato de se apresentar como um agente germicida mais eficaz quando aplicado na pele, como mostraram os experimentos. Outros álcoois em gel, apesar de terem agentes antimicrobianos, não apresentam atividade residual persistente e podem permitir o crescimento lento de bactérias após seu uso.

O desenvolvimento do hidrogel

O trabalho começou em 2022, com o desenvolvimento de um hidrogel composto de vidro de borofosfato (uma espécie de ‘vidro bioativo’) e carbopol (um agente gelificante utilizado na formulação do álcool em gel e que usamos como desinfetantes para as mãos).

O borofosfato é chamado de ‘vidro’ porque, estruturalmente, é um material vítreo, ou seja, amorfo, não cristalino. Mas ele é diferente do vidro de janela, que é feito principalmente de areia de sílica.

A composição química do vidro de borofosfato parte do fosfato de potássio. Ele é solúvel, ou seja, pode ser diluído na água, e composto por tipos de reagentes específicos. Esse material é usado para fazer uma síntese chamada de fusão e resfriamento e, assim, formar esse material ‘vítreo’.

O termo ‘vidro bioativo’ não está ligado à sua composição química, mas ao comportamento do material quando entra em contato com um sistema biológico. Isto porque ele interage ativamente com o meio fisiológico.

Assim, foi criado um hidrogel feito de carbopol, onde o vidro de borofosfato já em forma aquosa (depois de diluído) foi incorporado. O vidro é o princípio ativo, responsável por matar as bactérias.

Além do alto poder antimicrobiano e da ausência de metais como a prata, outra grande vantagem do produto desenvolvido e patenteado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus Toledo (Unioeste), é que o hidrogel não é inflamável como o álcool em gel, que tem etanol em sua composição.

Em relação ao uso de agentes antibacterianos residuais, como a prata ou o triclosan, várias alternativas têm sido estudadas por cientistas a partir da nanotecnologia, para evitar o surgimento de bactérias mais resistentes a longo prazo.

Se você estiver analisando rótulos para consumo, verifique a lista de ingredientes (Composition/INCI). Se não houver termos como “Silver”, “Colloidal Silver” ou “Silver Citrate”, o produto não contém o metal.

Os estudos para o hidrogel levaram cerca de um ano, entre 2022 e 2023, e resultaram no depósito de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Este prazo é considerado curto quando o assunto é produção científica.

Em 2023, o grupo assinou e publicou um artigo na International Journal of Pharmaceutics, a terceira revista científica mais citada na área, apresentando as diferenças entre o hidrogel e o álcool em gel.

Este texto foi publicado no The Conversation. Clique aqui para ler a versão original

Autor: Folha

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