
Estados Unidos, Rússia e Ucrânia encerraram a primeira rodada de conversas trilaterais sem chegar a uma decisão sobre a guerra. Representantes dos três países se reuniram neste sábado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Neste sábado, segundo dia de negociações, a reunião durou cerca de três horas.
Depois do encontro, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a negociação se concentra nos “possíveis critérios para pôr fim à guerra”. Ele disse haver a possibilidade de novas reuniões já na semana que vem.
“Nossa delegação apresentou um relatório; as reuniões nos Emirados Árabes foram concluídas. E este foi o primeiro formato desse tipo em muito tempo: dois dias de reuniões trilaterais. Muito se debateu e é importante que as conversas tenham sido construtivas”, destacou Zelensky em uma mensagem na rede social X.
O presidente ucraniano acrescentou que o tema central das conversas foram “os possíveis critérios para pôr fim à guerra” e disse valorizar muito o reconhecimento da “necessidade de os Estados Unidos supervisionarem e controlarem o processo de fim da guerra e garantirem uma segurança real”.
Ele mencionou que a parte americana levantou a questão de possíveis formatos para estabelecer os parâmetros do fim da guerra, além das condições de segurança necessárias para isso.
Segundo o líder ucraniano, os representantes militares identificaram uma lista de questões para uma possível próxima reunião. Ele afirmou que “se houver disposição para avançar — e a Ucrânia está disposta —, novas reuniões serão realizadas, possivelmente já na semana que vem”.
Uma fonte russa também comentou à agência TASS que “há possibilidades” de que a segunda rodada seja realizada nos próximos dias.
A invasão da Rússia à Ucrânia vai completar quatro anos em fevereiro.
Impasse sobre região de Donbass
Ambos os lados e os mediadores reconheceram, durante a jornada de sexta-feira, que a retirada das tropas ucranianas do Donbass é o principal obstáculo nas negociações trilaterais.
“Esta questão continua sendo a mais complexa. Para a Rússia, é importante a retirada do Exército ucraniano do Donbass. Para isso, estão sendo considerados diferentes parâmetros de segurança”, disse uma fonte oficial à “TASS”.
A Rússia se opõe categoricamente ao envio de tropas ocidentais ao território do país vizinho, enquanto Kiev exige garantias que obriguem os EUA e seus aliados europeus a defendê-la em caso de uma nova agressão russa, em conformidade com o artigo 5º da Otan.
O presidente russo, Vladimir Putin, aprovou a realização de negociações trilaterais em Abu Dhabi após se reunir na madrugada de sexta-feira com os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.
Enquanto isso, o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez o mesmo após se reunir na quinta-feira com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos.
A delegação da Rússia, que havia prometido elevar o nível de representação de sua equipe liderada nas três reuniões bilaterais anteriores por um assessor presidencial, é liderada pelo almirante Ígor Kostiukov, “número dois” do Estado-Maior e chefe da inteligência militar, e inclui apenas militares, de acordo com o Kremlin.
Já a delegação ucraniana é composta, entre outros, pelo chefe do gabinete presidencial ucraniano, Kyrylo Budanov; pelo líder do grupo parlamentar do partido de Zelensky, David Arajamia; e pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov
Autor: Gazeta do Povo







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