Um paciente de 61 anos foi o terceiro a ser submetido a artroplastia de joelho (troca a articulação danificada pela artrose por prótese) com o apoio do SkyWalker, um robô adquirido pelo Einstein Hospital Israelita.
O SkyWalker Robotic Platform não substitui o médico, mas leva precisão às cirurgias. Quando o caso não é complicado, o procedimento é feito em cerca de uma hora. No modo tradicional, esse tempo seria pelo menos 40 minutos mais longo, segundo Moisés Cohen, especialista em cirurgia de joelho e trauma esportivo, membro da mesa diretora do Einstein Hospital Israelita e professor titular da Escola Paulista de Medicina.
A plataforma —desenvolvida pela MicroPort Orthopedics—, foi incorporada à ortopedia das unidades Morumbi, na zona sul de São Paulo, e Goiânia. Os cirurgiões e as equipes viajaram à Bélgica para o treinamento. A reportagem acompanhou a intervenção na manhã de quarta-feira (8).
O ortopedista e sua equipe operaram o paciente em duas horas. Ele já tinha uma placa na região há 20 anos, quando corrigiu uma deformação em valgo (joelho em X), procedimento feito pelo mesmo médico.
“Sem o robô, não teria condições de começar a cirurgia. Com o robô eu fiz um planejamento prévio e consegui fazer com que o corte passasse rente ao parafuso da placa. Não precisei me preocupar com o alinhamento da perna do paciente. Estava reta, mas obviamente é uma anatomia diferente da original porque foi mexido há 20 anos. E essa é a dificuldade que às vezes se impõe no planejamento”, afirma o cirurgião.
Segundo o ortopedista, o robô, por si só, não opera. “As pessoas acham que você vai apertar o botão e o robô funcionar sozinho. Ledo engano. Você tem que fazer um planejamento e o robô te dá a segurança, assertividade e a reprodutibilidade daquilo que você planejou. O robô sozinho não faz nada”, explica.
Para a cirurgia com o uso do SkyWalker é feito um planejamento pré-operatório com uma execução robótica de alta precisão. O sistema utiliza imagens de tomografia computadorizada e cria um modelo 3D interativo da articulação que permite detalhar o tamanho, a posição e o alinhamento ideais da prótese.
Durante o procedimento, um braço robótico posiciona o bloco de corte com exatidão submilimétrica para garantir máxima fidelidade ao planejado. Com o feedback em tempo real fornecido pela plataforma, o cirurgião consegue avaliar e ajustar o equilíbrio dos ligamentos.
“O uso do robô dá a sintonia fina que permite ir no detalhe. E às vezes ganhamos o jogo no detalhe. O ser humano é muito importante [nesse processo]. Se ele não fez o cálculo corretamente, a precisão do robô é tão grande que vai errar junto com o cirurgião”, diz Cohen.
Segundo Cohen, neste tipo de cirurgia a expectativa é de alta em três dias, com prescrição de fisioterapia. O planejamento implica no resultado, na evolução, na recuperação mais rápida e no bom prognóstico. Há diminuição da dor e do consumo de analgésicos no pós-operatório, bem como do sangramento, porque a operação é mais rápida e efetiva.
“Tem um detalhe importante: eu não indico prótese para o paciente voltar a fazer esporte, mas para ele ter qualidade de vida. Nunca esqueço de uma frase que ouvi de uma senhora: ‘sou uma pessoa muito ativa, dinâmica, mas por conta da dor no meu joelho, da minha limitação, é como se eu enxergasse o mundo em preto e branco’. A hora que a pessoa faz a prótese e volta a ter qualidade de vida, pergunta por que não fez antes”, disse.
O Einstein possui outros dois sistemas robóticos ortopédicos de alta precisão para joelho —Rosa (Zimmer Biomet) e o Mako SmartRobotics (Stryker)— este último também para cirurgia de quadril. O robô Mazor (Medtronic) é utilizado nos procedimentos para a colocação de parafusos pediculares na coluna vertebral.
No futuro, a instituição pretende disponibilizar a tecnologia SkyWalker aos pacientes do Hospital Ortopédico do Estado da Bahia, que é 100% SUS (Sistema Único de Saúde) gerenciado em parceria com a Organização Social de Saúde Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
“Nosso objetivo é ser um centro formador em treinamento e educação na parte de robótica. Hoje temos quatro plataformas. No futuro, queremos que todas as plataformas disponíveis estejam aqui para que o médico possa ter a opção de escolha e não ficar dependente de uma única marca. E que a gente consiga fomentar essa tecnologia da melhor forma possível “, diz Mário Lenza, gerente médico da Ortopedia do Einstein.
Autor: Folha








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