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Canetas emagrecedoras podem levar à perda de músculos – 10/04/2026 – Não Tem Cabimento

A perda de peso costuma estar associada à perda de massa muscular. O emagrecimento decorrente do uso de medicamentos antagonistas do receptor GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, podem implicar em uma diminuição relevante desse tecido, podendo chegar a 50% do peso perdido de acordo com registros na literatura científica sobre essas drogas.

É o que diz o presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da USP, Bruno Gualano. O estudo Step 1 publicado na revista New England Journal of Medicine indica que a semaglutida levou a perda de cerca de 15% do peso corporal de indivíduos com obesidade grau um, incluindo redução de cerca de 10% na massa magra, por exemplo.

Bruno diz que perder massa muscular nunca é interessante do ponto de vista da saúde geral. “Reconhecemos o músculo na fisiologia como um órgão endócrino também, capaz de produzir substâncias que atuam em diversos outros tecidos e provocam efeitos adaptativos que são muito benéficos.”

O professor e colunista da Folha diz que os usuários mais propensos a uma perda acentuada de massa muscular que pode levar à sarcopenia são idosos e pessoas que, embora tenham o peso adequado, usem medicamentos para emagrecer. A tendência é que essas pessoas já não tenham uma reserva muscular, diz Gualano.

No entanto, ainda não há estudos que meçam a perda muscular em indivíduos jovens que usam esses medicamentos para fins estéticos. “Os estudos pivotais da área são financiados pela indústria farmacêutica. Existem estudos independentes, mas só podemos fazer estudos observacionais por questões éticas; não tem razão que justifique o uso do medicamento para esse grupo”, diz Gualano.

Segundo a profissional de educação física Julia Pedrosa Furlan, diante da diminuição muscular acentuada deve haver adaptação de hábitos para balancear a composição corporal e evitar agravamentos, como manter uma boa alimentação, com quantidade adequada de proteínas, e uma rotina de atividade física resistida.

“A musculação é um exemplo de exercício do tipo, mas a massa muscular pode ser construída com outras atividades, desde levantar coisas pesadas e até o próprio peso corporal, contanto que o estímulo seja mantido”, diz. Embora defenda a prática de atividades físicas da preferência de cada um para a construção de uma boa relação com os exercícios, a profissional diz que pessoas que perderam músculos em excesso devem priorizar os treinos de força aos aeróbicos.

Para Julia, é preciso analisar o quadro completo de quem utiliza esses medicamentos para emagrecer. “Para uma pessoa com obesidade e comorbidades associadas à doença, faz sentido abrir mão de massa muscular no processo de emagrecimento a fim de diminuir outros fatores de risco, como o percentual de gordura e aspectos cardiovasculares. O uso estético, por outro lado, não se justifica: você vai perder 5 kg de gordura e 3 kg de massa muscular, por exemplo”. “Precisamos avaliar sempre o que é benefício e o que é risco”, diz.

Gualano diz ainda que é possível manejar a perda muscular caso o usuário desses medicamentos seja acompanhado por um médico qualificado. Ele também frisa a importância de se olhar o peso corporal não como um número na balança, mas como a composição corporal no geral para poder avaliar a perda de massa muscular e intervir. “A força muscular é um preditor de longevidade, e por isso é preciso preservá-la”.


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Autor: Folha

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