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Pausa forçada abre brecha para F1 aplacar ira dos pilotos – 12/04/2026 – Esporte

A pausa forçada no calendário da F1 provocada pelos cancelamentos das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, devido à guerra entre Estados Unidos e Irã que se espalhou pelo Oriente Médio, abriu uma janela para pilotos e equipes pressionarem a categoria por mudanças no regulamento recém-adotado.

Representantes das 11 escuderias estão reunidos com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desde quinta-feira (9), em Londres, para apresentar as queixas e avaliar a necessidade de mudanças ainda durante esta temporada. Os encontros devem se estender até o dia 20.

O ponto central debatido neste momento é relacionado aos motores com sistema híbrido de potência adotados neste ano. A parte elétrica passou a oferecer quase 50% da potência total do carro, com o restante proporcionado por combustão. A nova configuração exige que os pilotos utilizem diferentes técnicas de direção ao longo de uma mesma volta para recarregar as baterias.

Quando elas estão quase zeradas, a perda de potência e velocidade é significativa, deixando os pilotos vulneráveis aos ataques dos concorrentes. Por isso, nas três etapas disputadas até aqui, com os GPs da Austrália, da China e do Japão, foi comum ver as chamadas ultrapassagens “iôiô”: os pilotos se revezaram em trocas constantes de posição, ocasionadas pela variação de carga nas baterias.

Há ainda a questão da segurança dos pilotos, principal motivo pelo qual a F1 e a FIA estão sendo pressionadas. Com mudanças quase repentinas de perda de potência e velocidades, os carros estão mais sujeitos a acidentes.

Foi o que aconteceu na prova disputada em Suzuka, em 29 de março, a última antes da pausa que vai se estender até o dia 3 de maio, com a volta no GP de Miami. No circuito japonês, o britânico Oliver Bearman, da Haas, bateu no argentino Franco Colapinto, da Alpine, que repentinamente apareceu mais lento à sua frente.

A diferença de velocidade entre eles chegou a quase 100 km/h. A variação se deu por um fenômeno que a categoria batizou de “super clipping”, a perda súbita de velocidade mesmo com o pedal do acelerador totalmente pressionado. A queda ocorre porque, enquanto o piloto está recarregando a bateria do carro, passa a contar apenas com o motor a combustão, que representa pouco mais da metade da potência total do veículo.

“Já tínhamos falado sobre essa possibilidade desde que esses carros foram concebidos. É o que temos que aceitar, com essas unidades de potência. Não há uma maneira fácil de contornar isso”, disse o australiano Oscar Piastri, da McLaren, após a corrida. Ele terminou em segundo lugar, atrás do italiano Kimi Antonelli, da Mercedes.

Bearman, segundo nota da Haas, sofreu no acidente “uma contusão no joelho direito após o impacto”. Ele foi mais um a observar que o tema já vinha sendo debatido entre os competidores antes mesmo do choque.

“Como grupo, alertamos a FIA sobre o que poderia acontecer, e este foi um resultado realmente infeliz de uma enorme diferença de velocidade que nunca tínhamos visto antes na F1”, declarou o britânico.

Os problemas não se resumem à segurança, e ecoam no paddock críticas dos pilotos sobre a competitividade das provas. O holandês Max Verstappen tem se mostrado o mais insatisfeito com as diretrizes do novo regulamento.

Tetracampeão, o piloto da Red Bull figura apenas na nona posição do Mundial, tendo como seu melhor resultado até aqui o sexto lugar na Austrália. Ele tem afirmado que pensa em deixar a categoria.

“Eu posso aceitar facilmente ser sétimo ou oitavo, porque sei que você não pode toda vez dominar, ser primeiro ou segundo, lutar por pódios. Sou muito realista, já estive nessa situação antes. Mas, ao mesmo tempo, quando você está em sétimo ou oitavo e não está gostando de toda a fórmula por trás disso, não parece natural para um piloto de corrida”, disse.

“Não é legal a forma como você tem que correr. É realmente antipilotagem. Então, chega a um ponto em que, sim, não é o que eu quero fazer. Claro que você pode olhar isso e fazer muito dinheiro. Legal. Mas no fim das contas isso não é mais sobre dinheiro, porque essa sempre foi minha paixão”, argumentou.

Um exemplo do que ele chama de “antipilotagem” foi visto no Japão durante uma disputa entre os britânicos Lando Norris e Lewis Hamilton. Após a corrida, o piloto da McLaren afirmou que foi quase obrigado a ultrapassar o compatriota da Ferrari sem querer. Depois, acabou perdendo a posição.

“Eu nem queria ultrapassar o Lewis. É só uma questão da a bateria se descarregar. Eu não queria que se descarregasse, mas não conseguia controlar. Então, eu o ultrapassei, e aí fiquei sem bateria, e ele simplesmente passou voando. Isso não é corrida, isso é efeito ioiô”, disse.

Mesmo com a insatisfação dos pilotos, a F1 deve ser cautelosa com qualquer mudança em seu novo regulamento. Até mesmo o chefe da equipe Haas, Ayao Komatsu, que teve seu piloto envolvido no acidente, defendeu que é preciso um longo debate antes de qualquer alteração.

“Estamos analisando a questão sob todos os ângulos porque, quando fazemos mudanças, precisamos que sejam as mudanças certas. Não podemos tomar decisões precipitadas e, algumas corridas depois, dizer: ‘Essa foi uma má escolha'”, disse Komatsu.

Autor: Folha

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