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Quem é Mariangela Hungria, brasileira que entrou na lista da Time

A agrônoma e pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, de Londrina (PR), está na relação das 100 pessoas mais influentes do mundo de 2026 da revista Time, na categoria “Pioneiros”. A famosa lista, divulgada anualmente, reconhece o impacto, a inovação e as conquistas de personalidades de todo o mundo.

Com mais de 40 anos de pesquisas no desenvolvimento de tecnologias em microbiologia do solo, Mariangela trabalha principalmente com microrganismos que auxiliam na fixação biológica do nitrogênio, reduzindo a necessidade do uso de insumos químicos.

No ano passado, ela foi a laureada do Prêmio Mundial de Alimentação – World Food Prize (WFP), mais importante reconhecimento da agricultura, considerado uma espécie de “Nobel” da área.

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Desde 2020 Mariangela está classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, ela ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia e em Microbiologia, em lista publicada pelo Research.com, plataforma de dados sobre contribuições científicas em nível mundial.

Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária e da Fundação Bunge.

Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Em 2026, entrou na lista Forbes que destaca 10 personalidades mundiais que personificam a liderança no agronegócio.

Estar na lista da Time é resultado do trabalho desenvolvido pela Embrapa, diz pesquisadora

Para Mariangela, integrar a lista da Time não é resultado apenas sua trajetória, mas do trabalho desenvolvido na Embrapa. “É um grande orgulho pela pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, diz.

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Segundo ela, o reconhecimento reflete uma mudança global de percepção das práticas sustentáveis e da produção de alimentos mais saudáveis, atualmente mais valorizados. “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, afirma.

Ela acredita que a visibilidade pode fortalecer ainda mais o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais.”

Interesse de Mariangela por pesquisa com microrganismos começou na infância

A vocação de Mariangela para a carreira começou quando ainda era criança, aos 8 anos de idade, quando ganhou da avó, professora de ciências, o livro Caçadores de Micróbios, de Paul de Kruif. “Me encantei com o livro e falei que queria ser microbiologista, porque me afetava muito ver pessoas passando fome”, contou em entrevista à Gazeta do Povo.

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Em 1976, ao concluir o científico (atual ensino médio), decidiu cursar agronomia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba. Na época, ela conta que já queria seguir um caminho alternativo: aumentar a produção de alimentos, porém por meio de insumos biológicos.

“Todas as pessoas falavam que seria inviável. Pensavam que poderia servir para uma horta comunitária, uma agricultura orgânica, mas que jamais seria possível usar biológicos em uma agricultura de larga escala. E eu queria que servisse para todos os tipos de cultura”, recorda.

Uso de biológicos permite economia de R$ 125 bilhões por ano

Conforme seus estudos, o uso da inoculação na soja com bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium) pode ser ainda mais benéfico se associado à coinoculação com a bactéria Azospirilum brasiliense. Segundo suas estimativas, somente em 2024, essa tecnologia propiciou uma economia estimada de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 125 bilhões), ao dispensar o uso de adubos nitrogenados.

O valor é calculado considerando a área plantada e a produção de soja, o valor do fertilizante (ureia) que seria necessário para essa produção, e a eficiência de uso do insumo nitrogenado. Mariangela explica ainda que a tecnologia evitou, no ano passado, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalentes por ano para a atmosfera. Hoje o Brasil é líder mundial no uso de processos biológicos no campo.

“Isso é maravilhoso, mas pode ser ainda melhor, porque apesar de sermos líderes, temos uma média de 10% a 15% da nossa agricultura com biológicos, o resto ainda utiliza químicos”, diz a pesquisadora.

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No caso da soja, o uso de microrganismos pode substituir totalmente os adubos químicos, um potencial promissor considerando a dependência brasileira de fertilizantes importados. “Em outros casos, a substituição é parcial, mas, se pensar no preço e no impacto ambiental, as vantagens são significativas”, diz.  

Para a cultura de milho, que também vem adotando de forma crescente o uso de produtos biológicos, o agricultor pode economizar cerca de 25% do uso de produtos químicos, segundo Mariangela.

Nas pesquisas lideradas pela cientista, já há bactérias selecionadas e eficientes para diversas outras culturas, como feijão, ervilha, crotalária, trigo, arroz, cevada e até pastagens de gramíneas, como braquiárias, utilizadas na alimentação animal.

Autor: Gazeta do Povo

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