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Um novo olhar sobre o futebol – 25/04/2026 – Tostão

Em outra coluna, escrevi que Gerson e Matheus Pereira podem formar uma ótima dupla no Cruzeiro, observei que deveriam alternar durante as partidas a suas posições e funções em campo.

Um leitor me disse que pensou imediatamente em outra dupla: Tostão e Dirceu Lopes no Cruzeiro dos anos 60. É isso, nós nos completávamos em campo. Enquanto Dirceu Lopes era extremamente hábil e rápido e, em uma fração de segundo, passava de uma intermediária à outra, eu me destacava mais por jogar com dois toques, pelos passes, além de marcar gols.

Eu era um meia-atacante, um camisa 10, que usava a 8, enquanto Dirceu Lopes era um meio-campista, um camisa 8, que jogava com a 10. Entendíamo-nos pelo olhar, pelo movimento do corpo e pelo vulto. É a comunicação analógica, menos precisa, porém mais inventiva.

Piazza era o meio-campista centralizado e mais recuado. Formávamos um trio no meio-campo, como é hoje frequente em grandes equipes, como o Barcelona, o Manchester City e as seleções de Espanha e Portugal. Evidentemente, os jogadores hoje têm melhores condições físicas. Quase todos os times brasileiros prefere a formação com dois meio-campistas (volantes) mais um meia avançado e centralizado.

Ancelotti vive essa dúvida. Contra a França e nos jogos anteriores, o time jogou com dois volantes, um meia avançado e centralizado (Matheus Cunha) e um trio no ataque. Nessa formação, os dois volantes ocupam uma faixa extensa de campo para iniciar as jogadas e proteger os quatro defensores, e é importantíssima a volta dos pontas para marcar.

Contra a Croácia, Matheus Cunha atuou mais recuado, marcando pela esquerda e formando um trio no meio-campo com Casemiro e Danilo. Com isso, Vinicius Junior, pela esquerda, não precisava voltar para marcar, o que melhora sua atuação. Além disso, Matheus Cunha consegue marcar e ainda chegar ao ataque. Nas duas formações, a compactação ainda não foi eficiente.

Não basta mais ter ótima estratégia e excelente elenco. Hoje, um grande time precisa ser compacto, intenso, pressionar em todo o campo e alternar as trocas de passes e o domínio da bola com a transição rápida da defesa para o ataque. O futebol se transformou nas últimas décadas, e precisamos mudar o nosso olhar sobre o jogo. Continuam frequentes os antigos clichês, as frases feitas e a repetição de conceitos.

Racismo estrutural

Uma das razões de tantos protestos, vaias e demissões de treinadores no futebol brasileiro é a ilusão de que os técnicos possuem a chave do jogo. É como se tudo o que acontece no gramado fosse por causa das ações dos treinadores. Eles são importantes, algumas vezes mudam a história do jogo, mas são excessivamente valorizados nas vitórias e desvalorizados nas derrotas.

No São Paulo, Roger Machado foi bastante criticado antes mesmo de sua estreia, por causa da saída do antecessor Hernán Crespo –que tinha uma boa média de resultados– e porque não tem um prestígio consolidado. Muitos torcedores acham que ele é pouco prático e dá muitas explicações incompreensíveis.

Pode haver nessa recusa um racismo estrutural, uma absurda visão, inconsciente ou não, de que Roger, por ser negro, não teria conhecimentos para comandar uma grande equipe.


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Autor: Folha

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