
A Ponte de Guaratuba entrou em operação neste sábado (2) com o objetivo de encurtar distâncias. Ao substituir o antigo sistema de ferry-boat, a obra reduziu trajetos que duravam horas para menos de dez minutos, eliminando gargalos históricos. Além da ligação logística, a nova ponte prioriza a segurança multimodal ao separar fisicamente pedestres e ciclistas do tráfego de veículos, que liberado oficialmente no final da manhã deste sábado.
O foco da engenharia foi além da passagem de veículos pesados, priorizando a chamada “mobilidade ativa”. O projeto garante que pedestres e ciclistas tenham um espaço seguro, isolado do fluxo de automóveis por barreiras físicas robustas, algo inédito na conexão entre os dois municípios.
Agilidade e segurança no pedal e na corrida
A mudança de paradigma é sentida principalmente por quem utiliza a bicicleta como veículo de locomoção. O ciclista Renan de Oliveira, personal trainer de 35 anos, descreveu a experiência como superior ao que estava acostumado: “Muito legal, uma paisagem linda e muito mais fácil do que o ferry. Levei uns 8 minutos no máximo”, diz. Ele ressalta que a sensação de proteção é o ponto alto: “Me senti muito seguro, pois a via dos ciclistas e pedestres fica separada da parte dos carros, e as laterais são bem altas”.
Essa percepção de segurança e infraestrutura é compartilhada pelos atletas Marcos Vinícius Lopes da Silva (28 anos) e Katia Nair Negherbon (29 anos). Vinícius, que atravessou na corrida durante a maratona, destacou que a estrutura está “100% terminada e que está muito segura para pedestres” e que o percurso é “bem tranquilo, sem nenhum tipo de buraco ou desvio”.
Katia, que o acompanhou numa moto elétrica, elogiou a sinalização e a mureta de proteção: “A ciclovia ficou muito boa, sentimo-nos seguros mesmo com a passagem de carros e motos ao lado. Muito fácil e tranquilo”, disse.
Somando-se a essa visão, a enfermeira e empresária Maykely Nunes, de 36 anos, descreveu sua primeira vez na ponte como uma “experiência incrível” e um “momento histórico” para o estado. Maykely, que completou a travessia de 5 km, destacou a tranquilidade e a segurança que sentiu durante todo o percurso, apesar do vento característico da região. Para ela, correr na ponte se tornou sinônimo de “liberdade em movimento” e já incluiu o trajeto em sua rotina de treinos de rua.
Logística e eficiência: O impacto no transporte
Para o setor produtivo, a ponte significa o fim de um “custo invisível”. O empresário Eurides Corcini Neto, 43 anos, do setor de transportes, relata a agilidade que era impossível anteriormente. Ele recorda que, no passado, a travessia de itens essenciais, como caminhões de gás ou ambulâncias, exigia a paralisação de todo o sistema de balsas, gerando atrasos imensos e riscos à vida.
Neto destaca a mudança drástica nos tempos de operação da sua transportadora: “Hoje gastamos em média 3 a 4 horas para ir até Garuva (Santa Catarina). Com a ponte, a média é cair para no máximo 1 hora, dependendo do movimento interno em Matinhos e Guaratuba, pois a travessia sabemos que será rápida”, explica o empresário.
Para um trecho de apenas 56 km entre a central em Matinhos e o centro de distribuição em Garuva, essa redução é vital para a competitividade local. “O litoral deixa de ser apenas um lugar de temporada para ter vida própria. Temos uma previsão de aumento de pelo menos 50% no nosso movimento”, celebra Neto.
Planejamento político e o fluxo binário
O entorno também foi pensado. Rodrigo Gregório dos Santos, de 35 anos, Superintendente de Articulação Regional da Casa Civil (SAR Litoral), explica que o governo está focado na implementação de um sistema binário em Guaratuba. Este modelo visa organizar o tráfego de entrada e saída de forma inteligente, evitando que o fluxo rápido da ponte se transforme em congestionamento nas ruas internas da cidade.
“Temos trabalhado nessa frente dos binários. Em Guaratuba, o projeto já está pronto e em fase de conclusão para licitação”, afirma Rodrigo. O planejamento inclui a ligação até a PR-412 e na rotatória do Coroados. Além disso, ele destaca que a duplicação da PR-412 (Guaratuba-Garuva) já foi licitada, o que, somado à ponte, eliminará as filas históricas do litoral. Rodrigo reforça que as obras de acessos nas cabeceiras devem ser finalizadas em até 60 dias, completando o complexo viário.
Maratona marcou inauguração
A primeira etapa da Maratona Internacional do Paraná (MIP) agitou o litoral do estado logo nas primeiras horas deste sábado (2). Mesmo com neblina e chuva fina, milhares de atletas compareceram para percorrer os trajetos de 5 km e 21 km, que conectam as cidades de Guaratuba e Matinhos. A recém-inaugurada Ponte de Guaratuba foi o grande diferencial da prova.
O cronograma começou cedo: às 6h, largaram os Atletas com Deficiência (ACD) nos 5 km, seguidos pelo público geral da mesma distância. Mais tarde, às 7h25, foi a vez dos competidores da meia maratona (21 km), que reuniu os atletas de elite e corredores amadores.
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Autor: Gazeta do Povo








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